Os afegãos que regressam de países vizinhos enfrentam riscos acrescidos de tráfico de pessoas e exploração, à medida que crises humanitárias e económicas sobrepostas deixam muitos a lutar pela própria sobrevivência.

Agências das Nações Unidas relatam que os regressos em massa do Irão e do Paquistão, aliados à redução da assistência humanitária, ao colapso da economia rural, aos desastres climáticos e às restrições nos direitos das mulheres expõem os retornados ao tráfico e a outros abusos.

Fragilidade económica alimenta exploração

Segundo um relatório da Organização Internacional para Migrações, OIM,  mais de 6 milhões regressaram do Irão e do Paquistão entre setembro de 2023 e maio de 2025.

Apenas 11% dos ouvidos pela agência estavam empregados ou eram proprietários de um negócio, enquanto 56% das famílias disseram não conseguir cobrir as suas despesas básicas de subsistência.

Unama
Os retornados afegãos enfrentam instabilidade numa nação que já enfrenta crises graves

Quase metade afirmou depender de empréstimos ou donativos para sobreviver, deixando muitos vulneráveis a práticas laborais exploratórias, servidão por dívidas e outras formas de abuso.

As mulheres, crianças, e famílias endividadas permanecem entre os grupos com maior risco. A OIM alerta que as vítimas continuam a ser sujeitas a trabalho forçado, exploração sexual, práticas semelhantes à escravidão e, em alguns casos, à remoção de órgãos.

Apelo à proteção das vítimas 

A carência de meios de subsistência, habitação e serviços básicos impulsiona os afegãos a recorrer a rotas de migração perigosas, aumentando a sua exposição ao tráfico, à exploração e ao abuso.

A chefe de missão da OIM no país, Mihyung Park, alerta que a escala dos retornos excede a capacidade de acolhimento das comunidades afegãs sem um reforço significativo do apoio internacional.

Por sua vez, Polleak Ok Serei, representante do Escritório das Nações Unidas sobre a Droga e o Crime, Unodc, alertou que a convergência de cortes na ajuda, desastres naturais e perda de meios de subsistência destaca a necessidade urgente de reforçar os esforços de prevenção.

As agências da ONU apelaram a uma cooperação regional mais forte para desmantelar redes de tráfico, ao apoio alargado aos sobreviventes, ao maior acesso à documentação civil, oportunidades de subsistência e a vias de migração mais seguras.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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