O secretário-geral da ONU, António Guterres, concluiu nesta quarta-feira uma visita ao Chipre, onde se reuniu com autoridades e conversou com a população.
Em encontro com jornalistas, ele relatou que os cipriotas querem que seus líderes façam concessões e percorram a etapa final rumo a uma solução para as divisões que persistem na ilha, localizada no Mar Mediterrâneo.
Uma mina de cobre a céu aberto no Chipre
Conversas “francas e construtivas”
O secretário-geral ressaltou que a solução da questão do Chipre é “absolutamente crucial” não só para preservar os interesses e a paz do povo cipriota, mas também como “fator de estabilidade numa região que está se tornando perigosamente instável”.
Guterres enfatizou que as Nações Unidas “não podem impor a paz”, mas estão comprometidas a apoiar a construção de um futuro para o Chipre marcado pela cooperação e pelas oportunidades.
O secretário-geral disse que esse foi o espírito das conversas “francas e construtivas” que teve, separadamente e em conjunto, com o líder greco-cipriota, Nikos Christodoulides, e com o líder turco-cipriota, Tufan Erhurman.
Avanço rumo a uma solução
Guterres relatou que foram alcançadas convergências e que uma nova reunião será planejada, após um processo de preparação focado em construção de confiança e definição de metodologia e conteúdo.
O líder da ONU disse que nos próximos meses será realizado um trabalho conjunto com os dois lados em Chipre e com os países garantidores, Grécia, Turquia e Reino Unido, a fim de “avançar de forma decisiva rumo a uma solução”.
Ele pediu também a cooperação de ambos os lados com a Missão de Paz da ONU, que há mais de seis décadas “ajuda a manter a calma e a estabilidade em um ambiente sensível”.
O secretário-geral pediu que a autoridade da Missão seja respeitada, tanto na zona-tampão quanto nas linhas de cessar-fogo delimitadas pela ONU.
Um soldado de manutenção da paz da ONU inspeciona a Linha Verde, que separa o norte e o sul de Chipre
Histórico da divisão
O Chipre se tornou independente do Reino Unido em agosto de 1960. Um mês depois, o país ingressou na ONU. A ilha tem uma população composta por 80% de cipriotas gregos e 18% de cipriotas turcos.
Os acordos, que levaram à independência, faziam a distinção entre as duas comunidades e buscavam um equilíbrio entre seus respectivos direitos e interesses, assegurando funções de governo e autonomia administrativa a ambos os lados. Mesmo assim, as tensões continuaram.
A Força de Manutenção da Paz das Nações Unidas no Chipre, Unficyp, foi criada pelo Conselho de Segurança em 1964 para evitar combates entre as comunidades greco-cipriota e cipriota turca.
Porém, em 1974, grupos favoráveis à união com a Grécia deram um golpe de Estado, que foi respondido com uma intervenção militar da Turquia, cujas tropas estabeleceram o controle sobre a parte norte da ilha.
Desde o cessar-fogo entre os dois lados, em agosto de 1974, a missão de paz supervisiona as linhas de cessar-fogo, fornece assistência humanitária e mantém a zona-tampão entre as forças turco-cipriotas e greco-cipriotas.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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