A Organização Mundial da Saúde, OMS, informa que 63 países já eliminaram pelo menos uma doença tropical negligenciada. Para a agência, esse fato é uma conquista histórica da saúde pública.

O “grande salto” até junho deste ano supera os 42 Estados contabilizados no final de 2020. O novo relatório global revela uma queda drástica no impacto dessas enfermidades, reduzindo para 1,41 bilhão o número de pessoas que precisam de intervenções, um recuo de 36% desde 2010 e de 19% em relação a 2020.

Conquistas e risco de retrocesso

Entre os maiores triunfos estão a redução de 98% nos casos de doença do sono desde 1999 e o registro histórico mais baixo da dracunculíase em humanos, com apenas 10 casos reportados em 2025.

Apesar dos progressos notabilizados pelo diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, o relatório faz um alerta sobre a fragilidade dessas conquistas e o risco real de retrocesso. 

ONU News
Desafio atual é garantir o acesso universal a essas inovações

A desigualdade no avanço é considerada gritante, com a dengue atingindo o recorde de 15,1 milhões de casos em 2024. As mortes por doenças tropicais negligenciadas transmitidas por vetores subiram e a erradicação da bouba está fora das metas. 

Além disso, os recursos globais disponíveis para combater esse tipo de enfermidade estão 30% abaixo dos níveis pré-pandemia, cenário agravado pela extrema dependência de poucos doadores, que injetaram até 80% dos fundos internacionais entre 2018 e 2024.

Garantir a continuidade das ações

O avanço científico surge como uma peça-chave para conter essa crise de financiamento e garantir a continuidade das ações em campo. 

Há uma esperança renovada por novas ferramentas preventivas e terapêuticas já aprovadas ou pré-qualificadas pela OMS, como o arpraziquantel pediátrico contra a esquistossomose e a miltefosina genérica para leishmaniose. 

A lista inclui uma vacina contra a dengue, além de outras duas para chikungunya e novos medicamentos para a oncocercose e a doença do sono. O desafio atual é garantir o acesso universal a essas inovações e a integração definitiva do atendimento a essas doenças na atenção primária à saúde.

O estudo destaca ainda o papel estratégico, os progressos notáveis e os desafios persistentes entre os países de língua portuguesa no mapa global das doenças tropicais negligenciadas.

Lusófonos, novas tecnologias e vacinas

Angola segue reforçando as campanhas de administração massiva de medicamentos para filariose linfática, helmintíases transmitidas pelo solo e esquistossomose. O país é citado por manter vigilância ativa e ações de controle de vetores contra a doença do sono nas áreas históricas de transmissão.

 

O Brasil mantém a liderança na

© Niaid
Cabo Verde avança na verificação e consolidação da eliminação de doenças transmitidas por vetores

 América Latina, impulsionando a pesquisa científica e o desenvolvimento de novos planos para o controle da doença de Chagas, leishmaniose, hanseníase e escorpionismo. 

No entanto, a realidade brasileira encara o desafio epidemiológico do combate à dengue, chikungunya e febre amarela com o suporte de novas tecnologias e vacinas.

Cabo Verde avança na verificação e consolidação da eliminação de doenças transmitidas por vetores, reforçando a vigilância epidemiológica contínua e o controle nos portos e aeroportos para evitar a reintrodução do mosquito Aedes aegypti.

Distribuição comunitária de medicamentos

A Guiné-Bissau ilustra progressos expressivos no combate ao tracoma, estando perto dos limiares de eliminação da doença como problema de saúde pública. O país alarga a distribuição comunitária de medicamentos para filariose linfática e helmintíases em áreas rurais.

Em relação a Portugal, o documento realça o papel central do país na cooperação técnica internacional, pesquisa acadêmica e financiamento para a saúde global. As autoridades portuguesas apoiam de forma ativa capacitações técnicas, redes de vigilância e parcerias nos países lusófonos de baixa e média renda.

Em São Tomé e Príncipe, observam-se avanços sucessivos no controle de helmintíases e do tracoma por meio de intervenções integradas de saúde escolar, saneamento básico e administração em massa de vermífugos.

© Unicef/Cesar Poveda
Brasil encara o desafio epidemiológico do combate à dengue, chikungunya e febre amarela

Timor-Leste consolida conquistas no Sudeste Asiático, mantendo o foco na eliminação sustentada do tracoma e da filariose linfática. O país intensifica ações de vigilância e resposta das comunidades a surtos de dengue e casos de escabiose.

Transformar compromissos em recursos

A OMS crê que, para alcançar a meta global de 2030 de forma sustentável, é preciso urgência em reforçar os fundos nacionais, integrar ações de vários setores e superar lacunas crônicas em obter dados abrangentes e desagregados por gênero. 

Pelo mundo, os países começam a demonstrar táticas para tornar essa luta sustentável, revela a agência. 

No entanto, o sucesso dessas ações dependerá da capacidade da comunidade internacional e dos governos locais de transformar esses compromissos em recursos para salvar milhões de vidas da extrema vulnerabilidade.

*Com informações da OMS.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).

To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).

Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.