Os plásticos de maiores dimensões sufocam a fauna selvagem e alteram habitats frágeis, antes de se degradarem em microplásticos tóxicos que envenenam a cadeia alimentar. Mesmo quando se desintegram completamente a nível físico, as suas ligações químicas permanecem, bem como os seus impactos.

Mais de 4 mil espécies marinhas afetadas pelos plásticos

Atualmente, mais de 4.000 espécies marinhas são afetadas pelos plásticos, segundo a Avaliação Mundial dos Oceanos, a única análise global que abrange os três pilares do desenvolvimento sustentável: ambiental, económico e social.

Ian Butler, editor do relatório de 1.600 páginas que inclui o trabalho de mais de 650 especialistas, afirmou que todo o sistema marinho é afetado: “a alimentação, o metabolismo, o sistema imunitário, o crescimento e a reprodução. Enfraquece-os, mata-os e altera as populações.”

Antes do Dia Mundial dos Oceanos, a 8 de junho, aqui ficam cinco pontos essenciais sobre os plásticos nos oceanos:

Unsplash/Brian Yurasits
Um copo de plástico flutua no oceano

1. A poluição por plásticos nos oceanos continua a aumentar

A quantidade de plástico nos oceanos continua a crescer, impulsionada por má gestão de resíduos, deposição de lixo, abrasão de microplásticos e atividades marítimas. Estima-se que as emissões de resíduos plásticos atinjam 52,1 milhões de toneladas métricas por ano.

 

2. Efeitos a longo prazo ainda são desconhecidos

Estima-se que existam cerca de 24,4 bilhões de partículas de microplásticos nos oceanos superficiais. No entanto, o conhecimento sobre os seus efeitos biológicos a longo prazo ainda é muito limitado. Quanto mais pequenos e invisíveis se tornam, mais difícil é detetá-los, monitorizá-los, removê-los e avaliar os seus riscos.

 

3. O plástico de uso único é uma grande fonte de lixo

Os plásticos descartáveis representam cerca de 40% do lixo global, enquanto a pesca contribui com cerca de 15%, com variações entre países mais e menos desenvolvidos.

Reduzir o problema implica diminuir a produção, promover a reutilização, repensar o design dos produtos, melhorar a inovação na reciclagem e encontrar alternativas ao plástico de uso único.

 

4. A poluição por plástico é também social e económica

Embora represente uma ameaça significativa para os habitats marinhos, a poluição por plástico também reduz a resiliência dos ecossistemas, os meios de subsistência humanos e a segurança alimentar.

Os custos recaem fortemente sobre setores dependentes do oceano. Turismo, pesca e transporte marítimo perdem milhares de milhões de dólares por ano devido à redução de receitas e aos custos de limpeza.

 

5. A prevenção e acordo internacional são essenciais 

A solução não passa apenas por mais limpezas de praias ou mais reciclagem. Segundo a avaliação, é necessário agir também na redução da produção, melhoria dos materiais e desenvolvimento de alternativas aos plásticos descartáveis.

“Alguns países consideram que seriam prejudicados de forma injusta por certas restrições, e que as suas economias sofreriam mais do que as de outros países que não dependem da produção de plástico”, explicou Ian Butler.

O método mais eficaz para reduzir a poluição por plásticos passa por um acordo internacional. Contudo, após seis anos de negociações, ainda não foi alcançado um acordo sobre estes plásticos entre os 193 Estados-membros da ONU.

*Matéria adaptada do original de Edouard de Bray

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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