Autoridades da ONU saudaram o anúncio de que os Estados Unidos e o Irã chegaram a um acordo de paz que prevê um cessar-fogo imediato e permanente, a reabertura do Estreito de Ormuz e uma estrutura para negociações futuras.

O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsenio Dominguez, disse que o acordo sinaliza um retorno crucial à paz, ao diálogo, ao multilateralismo e à diplomacia.

Liberdade de navegação

Em nota divulgada nesta segunda-feira, ele afirmou que o anúncio é “um passo importante para restaurar a segurança nesse corredor marítimo vital para marinheiros e navios, bem como para salvaguardar o princípio fundamental da liberdade de navegação”.

O acordo também permite que a OMI avance em seu plano para evacuar os milhares de marinheiros presos na área. A organização está trabalhando em estreita colaboração com os países envolvidos para implementar esse plano de forma segura e eficaz.

Também nesta segunda-feira, o alto comissário de Direitos Humanos, Volker Turk, disse que o anúncio feito por Estados Unidos e Irã é bem-vindo.

Ao discursar na atualização global para a 62ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra, Turk enfatizou que o conflito “teve um impacto arrasador sobre os direitos humanos em toda a região e ao redor do mundo”.

Consequências do bloqueio ao Estreito de Ormuz

Para ele, os últimos meses demonstraram que as profundas divergências na região não podem ser resolvidas por meios militares.

O chefe de Direitos Humanos repudiou o uso da força contra o Irã por parte de Israel e dos Estados Unidos, em ações que teriam causado a morte de milhares de civis incluindo centenas de crianças e a destruição de hospitais, escolas, residências e outras infraestruturas. 

Ele reiterou a exigência de que sejam tornadas públicas as conclusões da investigação dos EUA sobre o terrível ataque à escola de Minab.

Turk também declarou que os ataques do Irã a infraestruturas civis em países do Golfo e na Jordânia, bem como o bloqueio do Estreito de Ormuz, são “totalmente inaceitáveis”. 

O alto-comissário ressaltou que a obstrução teve consequências graves para a economia global, para a entrega de ajuda humanitária e para as populações mais vulneráveis, incluindo cerca de 20 mil marinheiros. 

“Passo crucial” para o fim do conflito

No domingo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, já havia reagido ao novo acordo de paz entre os Estados Unidos e o Irã, classificando-o como um “passo crucial” para o fim do conflito.

O líder da ONU expressou “profunda gratidão” pelo papel do Paquistão, Catar, Egito, Arábia Saudita, Turquia e outros países da região no apoio às negociações.

Guterres afirmou esperar que as partes aproveitem o momento para “redobrar os esforços” rumo a uma resolução definitiva. Ele também reiterou que a ONU está pronta para apoiar as iniciativas em direção a uma “paz duradoura e abrangente”.

Ataques de Israel contra o Líbano

Antes disso, o secretário-geral condenou veementemente os ataques israelenses na capital do Líbano, Beirute, no domingo.

Os ataques ocorreram apesar do cessar-fogo e em um momento em que se espera que as negociações entre Estados Unidos e o Irã abram caminho para uma resolução pacífica do conflito.

O líder da ONU pediu que todas as partes demonstrem máxima contenção neste momento crucial e disse esperar que os esforços contínuos dos Estados Unidos e do Irã tenham um resultado bem-sucedido.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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