Os esforços globais para combater a hepatite viral estão gerando progressos mensuráveis na redução de infecções e mortes. Mas a doença continua sendo um grande desafio de saúde pública mundial, como mostra o relatório da Organização Mundial da Saúde, OMS, divulgado nesta terça-feira durante a Cúpula Mundial sobre Hepatite, que ocorre em Genebra.
As hepatites virais B e C – responsáveis por 95% das mortes relacionadas à hepatite no mundo – causaram 1,34 milhão de óbitos em 2024. Ao mesmo tempo, a transmissão continua, com mais de 4,9 mil novas infecções por dia, ou 1,8 milhão por ano.
Brasil e Portugal superaram meta
O Relatório Global de Hepatite 2026 apresenta avanços desde 2015: o número anual de novas infecções por hepatite B caiu 32%, e as mortes relacionadas à hepatite C diminuíram 12% em todo o globo.
A prevalência de hepatite B entre crianças abaixo de 5 anos também diminuiu para 0,6%, com 85 países atingindo ou superando a meta de 0,1% prevista para 2030, como é o caso do Brasil e de Portugal.
Esses dois países de língua portuguesa aparecem na lista dos que ultrapassaram a meta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS.
O Brasil aparece entre os países citados no relatório da OMS entre os que estão “tomando medidas para acelerar o progresso nacional rumo à eliminação” e que “já alcançaram resultados impressionantes”.
Brasil: ação e impacto em nível nacional
Embora o progresso em nível global ainda não seja rápido o suficiente para atingir as metas de eliminação de 2030, há “excelentes exemplos de ação ou impacto em nível nacional”. O relatório apresenta 10 exemplos de países iniciando com o Brasil, o único de língua portuguesa nessa lista.
O destaque fica por conta do “progresso rumo à eliminação da transmissão de hepatite B de mãe para filho” (vertical) e da “ampliação do acesso ao tratamento”.
Segundo o relatório, “o Brasil alcançou progressos substanciais na redução da carga das hepatites virais por meio do seu Sistema Único de Saúde, SUS”. Em nível nacional, os avanços recentes para essa redução incluem, por exemplo, a cobertura da vacinação contra hepatite B entre recém-nascidos e lactentes, que aumentou de 77% em 2023 para 98% em 2025. Também foram realizados esforços para ampliar a oferta de diagnóstico e tratamento para pessoas com infecção por hepatite B e C.
Barreiras de acesso aos serviços
O relatório mostra, por exemplo, que em 2025, cerca de 14 milhões de testes rápidos para triagem de hepatite C e 10 milhões para a B foram distribuídos pelo Ministério da Saúde.
De acordo com o documento, entre 2014 e 2024, a taxa de mortalidade relacionada ao virus da hepatite B caiu 50%, para 0,1 óbito por 100 mil habitantes; já a da hepatite C caiu 60%, para 0,4 óbito por 100 mil.
Segundo o documento, apesar dos avanços, ainda existem barreiras de acesso aos serviços, principalmente devido a fatores socioeconômicos e geográficos.
Desafios pela frente
Para a OMS, o ritmo atual de progresso é insuficiente para atingir todas as metas de eliminação até 2030, destacando a necessidade urgente de acelerar os esforços de prevenção, testagem e tratamento em todo o globo.
O diretor-geral da agência, Tedros Ghebreyesus, afirma que “ao redor do mundo, os países estão mostrando que eliminar a hepatite não é um sonho distante, é possível com compromisso político contínuo, apoiado por financiamento interno confiável”.
Muitas pessoas, de acordo com o chefe da OMS, “permanecem sem diagnóstico e sem tratamento devido ao estigma, sistemas de saúde frágeis e acesso desigual aos cuidados”.
Em 2024, entre os 20 países com o maior número de pessoas vivendo com infecção por hepatite B ou C, só aparecia um de língua portuguesa: Angola.
Números de infecções e tratamento
Estimativas atualizadas da OMS indicam que 287 milhões de pessoas viviam com infecção crônica por hepatite B ou C em 2024.
Naquele ano, 0,9 milhão de pessoas foram infectadas por hepatite B. A região africana analisada pela OMS concentrou 68% dessas novas infecções, mas apenas 17% dos recém-nascidos na região receberam a dose da vacina contra hepatite B ao nascer.
Outros 0,9 milhão de casos de hepatite C foram registrados em 2024. Pessoas que usam drogas injetáveis representavam 44% das novas infecções, destacando a necessidade urgente de fortalecer serviços de redução de danos e práticas seguras relacionadas a isso.
Dos 240 milhões de pessoas com hepatite B crônica em 2024, menos de 5% estavam recebendo tratamento. Apenas 20% das pessoas com hepatite C foram tratadas desde 2015, quando um novo tratamento de 12 semanas, com taxa de cura de cerca de 95%, se tornou disponível.
Como resultado do acesso limitado à prevenção e aos cuidados, estima-se que, em 2024, 1,1 milhão de pessoas morreram de hepatite B e 240 mil de hepatite C. Cirrose hepática e carcinoma hepatocelular foram as principais causas dessas mortes. Uma grande proporção das mortes relacionadas à hepatite B ocorreu nas regiões africana e do Pacífico ocidental.
Os 10 países com maior número de mortes
Bangladesh, China, Etiópia, Gana, Índia, Indonésia, Nigéria, Filipinas, África do Sul e Vietnã concentraram 69% das mortes por hepatite B no mundo em 2024.
O relatório mostra que ferramentas altamente eficazes já estão disponíveis, como a vacina contra hepatite B, que protege mais de 95% das pessoas vacinadas contra infecções agudas e crônicas. O tratamento antiviral de longo prazo para hepatite B também pode controlar eficazmente a infecção crônica e prevenir doenças hepáticas graves. Além disso, a terapia curativa de curta duração para hepatite C, com duração de 8 a 12 semanas, pode curar mais de 95% das infecções.
Tereza Kasaeva, diretora do Departamento de HIV, Tuberculose, Hepatite e Infecções Sexualmente Transmissíveis da OMS, afirmou que “os dados mostram que o progresso é possível, mas também revelam onde estamos falhando”.
Segundo ela, “cada diagnóstico perdido e cada infecção não tratada por hepatite viral crônica representa uma morte evitável”. Os países precisam avançar mais rapidamente, de acordo com a diretora, “para integrar os serviços de hepatite na atenção primária e alcançar as comunidades mais afetadas.”
O relatório identifica ações prioritárias para acelerar a eliminação da hepatite como ameaça à saúde pública. Entre elas estão a ampliação do tratamento para hepatite B crônica, especialmente nas regiões africana e do Pacífico Ocidental, e a expansão do acesso ao tratamento da hepatite C na região do Mediterrâneo oriental.
O documento também destaca a necessidade de maior compromisso político e financiamento, melhoria na cobertura da vacinação contra hepatite B ao nascer e ampliação da profilaxia antiviral para prevenir a transmissão de mãe para filho, especialmente na região Africana analisada pela OMS. Além disso, o relatório enfatiza a importância de melhorar a segurança das injeções em serviços de saúde e na comunidade.
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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