De acordo com o mais recente relatório sobre o Estado da População Mundial, 20% dos adultos não conseguem ter o número de filhos que desejam.
O conselheiro de Economia e Demografia do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, afirma que a queda das taxas de fertilidade não deve ser abordada através de pressão ou pânico, mas sim do reforço das escolhas reprodutivas.
Declínio da fertilidade
Michael Herrmann conversou com a ONU News durante sua participação na Comissão sobre População e Desenvolvimento, que ocorre em Nova Iorque até este 17 de abril.
Ele ressaltou que muitos governos estão alarmados com a queda da natalidade e respondem com incentivos financeiros para casais que tenham filhos. Segundo o especialista, essas políticas não geraram efetivamente numa reversão do declínio da fertilidade.
Os resultados preliminares do novo Inquérito do Unfpa sobre Escolhas Reprodutivas dos Jovens, realizado em 70 países, mostra que as barreiras são práticas e pessoais.
Muitos entrevistados citaram custos elevados de criação dos filhos, educação e habitação; incerteza sobre rendimentos futuros; preocupações políticas ou ambientais; e papéis de gênero desiguais.
Herrmann disse que para reverter o declínio da fertilidade é preciso compreender todos estes fatores e estabelecer políticas populacionais baseadas em direitos.
O conselheiro do Unfpa em Economia e Demografia, Michael Herrmann
Resiliência demográfica
Para ele, a mudança demográfica não é uma crise a temer, e sim uma realidade que deve ser compreendida, planejada e utilizada para construir sociedades mais fortes.
O especialista conta que a ONU utiliza, cada vez mais, a nomenclatura “resiliência demográfica”, e por uma boa razão. O conceito ajuda os países a se adaptarem para que consigam enfrentar estas transições e prosperar no meio delas.
E isto não se aplica apenas a países com populações envelhecidas. Nações que se encontram em fases iniciais da transição demográfica também podem se beneficiar dessa lógica.
Algumas podem aproveitar o “dividendo demográfico” quando a sua força de trabalho expande. Outras podem aceder ao que Herrmann chama de “segundo dividendo demográfico”, impulsionado por investimentos em capital humano, tecnologia e produtividade.
Envelhecimento e perda de mão de obra
Sobre o envelhecimento populacional e a consequente queda na mão de obra, ele disse que simplesmente aumentar a idade da aposentadoria de forma generalizada é uma medida muito “rudimentar”.
O especialista do Unfpa defendeu abordagens mais flexíveis como funções a tempo parcial, novos tipos de emprego e oportunidades que correspondam às competências e preferências dos trabalhadores mais velhos.
A migração também desempenha um papel fundamental na forma como as populações mudam, algo que, segundo Herrmann, é frequentemente mal compreendido.
Trabalhadores migrantes aguardam do lado de fora de um aeroporto em Katmandu, Nepal, para partirem para trabalhar no Oriente Médio
Desemprego e migração
Em muitos lugares, os migrantes estão desempregados devido à falta de integração, de reconhecimento das suas qualificações e barreiras linguísticas. Por outro lado, alguns países, como a Alemanha, evitaram o declínio populacional com suas políticas migratórias.
Michael Herrmann fez um apelo por mais resiliência demográfica, defendendo ações que coloquem os dados e projeções populacionais ao serviço das pessoas. Para ele, isso significa defesa dos direitos humanos, garantia de inclusão e aproveitamento da tecnologia para assegurar que as sociedades se adaptem.
* Liudmila Blagonravova é redatora da ONU News Russo
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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