O Conselho de Segurança da ONU se reúne nesta sexta-feira para debater os episódios recentes de violência extrema no Haiti.
Na noite de 23 de agosto, cerca de 150 membros de gangues fortemente armados invadiram a comuna de Kenscoff, nos arredores da capital, Porto Príncipe, e abriram fogo contra moradores que tentavam fugir pelas ruas.
Mãe e filho encontram abrigo em prédio municipal em Porto Príncipe após fugirem da violência
Execuções e ameaças
Em seguida, os agressores perseguiram mais de 50 pessoas que haviam buscado refúgio em uma igreja. Após forçá-los a sair do local, teriam sido executados 22 deles no pátio e outros 12 nos fundos do templo.
Ao recuarem do centro de Kenscoff, os membros da gangue sequestraram 52 pessoas, incluindo um menino e quatro meninas. Em uma gravação de áudio compartilhada nas redes sociais em 24 de agosto, a gangue ameaçou executá-las caso as operações de segurança contra o grupo continuassem.
Pelo menos 47 pessoas foram mortas no ataque de 23 de agosto, incluindo três meninos e duas meninas e outras 22 ficaram feridas.
Fluxo ilícito de armas de fogo
A porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmou nesta sexta-feira que o ataque armado em Kenscoff é “um lembrete contundente da brutalidade da violência de gangues”.
Marta Hurtado disse que o massacre ressalta a necessidade urgente de as autoridades nacionais reforçarem a proteção da população, especialmente das comunidades que vivem em áreas afetadas pela violência.
Em sua declaração, ela adicionou que o fluxo ilícito de armas de fogo e munições para o Haiti continua a fortalecer e empoderar gangues armadas.
Em 24 de agosto, outra gangue que atua em Porto Príncipe exibiu, nas redes sociais, o que parecia ser uma nova remessa de armas chegando do exterior, apesar do embargo de armas da ONU ao Haiti, em vigor desde 2022.
Armas ilegais apreendidas
Dados alarmantes
Entre 1º de abril e 30 de junho deste ano, o Serviço de Direitos Humanos do Escritório Integrado das Nações Unidas no Haiti, Binuh, registrou 1.408 pessoas mortas e 656 feridas no contexto da violência relacionada a gangues.
No mesmo período, 326 pessoas foram vítimas de violência sexual, segundo dados coletados. Mas os números reais são potencialmente mais altos, pois muitas vítimas não fazem denúncias devido ao medo de represálias e do estigma social.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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