Ao contrário das narrativas que sugerem mudanças nos valores das novas gerações, o relatório mais recente do Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa, mostra que jovens adultos ainda sonham com famílias e relacionamentos estáveis.

Esse planejamento, no entanto, é impactado por fatores sociais e econômicos, como o alto custo da moradia, a insegurança financeira e as rápidas transformações tecnológicas.

Futuros Demográficos 2026 

A pesquisa “Vidas, Escolhas e Futuros” reuniu mais de 100 mil jovens de 73 países, entre 18 e 39 anos. 

Dois terços manifestaram o desejo de se casar, enquanto 16% preferem permanecer solteiros. O ideal de família, na maioria das regiões, é ter dois filhos, exceto na África Subsaariana, onde o número é maior.

Entre os entrevistados acima dos 30 anos, a quantidade real de filhos é inferior ao que consideravam ideal na juventude. 

Para 72%, a falta de acesso à moradia é o principal obstáculo, seguida por dificuldades financeiras (52%).

As barreiras são mais severas para as mulheres, que relatam maior impacto na decisão de ter filhos. 

O relatório aponta que o gerenciamento doméstico e o planejamento familiar continuam recaindo sobre elas, configurando um trabalho invisível que, se remunerado, representaria mais de 40% do Produto Interno Bruto, PIB, em diversos países.

Opas
Gravidez e planejamento familiar

Perspectivas regionais

Essa desigualdade se estende ao mercado de trabalho, no qual persiste a chamada “penalidade da maternidade”, marcada por perdas salariais e discriminação.

Apesar de dois terços dos jovens demonstrarem otimismo em relação ao futuro, há grandes diferenças entre regiões.

Na África Ocidental e Central, 62% mantêm uma visão positiva, enquanto na Europa Ocidental, América do Norte e Oceania o índice cai para 19%, o mais baixo do mundo.

Brasil no TOP 10 

Nos países top 10 do ranking, Costa Rica, Filipinas, Panamá, Bolívia, Guatemala, Camarões, Tunísia, Brasil, Botsuana e Bangladesh, os jovens expressam forte preocupação com conflitos, desigualdade e insegurança econômica, mas ainda mantêm esperança em relação ao futuro.

Riscos ambientais, de saúde e políticos aparecem como preocupações secundárias, e o impacto da inteligência artificial é considerado o menor entre os desafios.

As redes sociais ocupam papel central na rotina: 42% dos jovens passam mais de duas horas diárias conectados. 

Unicef/Ueslei Marcel
Jovem usa o celular para utilizar redes sociais

Acesso diário

Entre eles, 37% usam as plataformas para fins profissionais e 28% para manter contato com familiares e amigos.

O uso para trabalho atinge o pico entre 25 e 29 anos.

Na América Latina e na África Oriental, o acesso diário à internet é mais intenso.

Homens tendem a usar as redes para relacionamentos, enquanto mulheres preferem compras e pesquisas de produtos.

Recomendações do Unfpa 

O relatório defende que os debates globais sobre demografia coloquem o bem-estar da juventude no centro das políticas de desenvolvimento sustentável. 

Entre as medidas sugeridas estão:

  • Criação de empregos seguros e oportunidades econômicas sustentáveis.
  • Investimento em habitação acessível.
  • Serviços de cuidados infantis de qualidade.

Segundo o Unfpa, investimentos de longo prazo nessa faixa etária permitirão que os jovens alcancem suas aspirações pessoais e contribuam para sociedades mais inovadoras e economicamente estáveis.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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