O Conselho de Segurança das Nações Unidas realizou, nesta quinta-feira, um debate focado no impacto das tecnologias emergentes na segurança marítima. O encontro foi dirigido pelo primeiro-ministro da Grécia, Kyriakos Mitsotakis, país que presidente o Conselho este mês.

O representante do secretário-geral da ONU, Courteney Rattray, enfatizou a grande importância dos oceanos e apontou que os espaços marítimos sustentam a estabilidade e a prosperidade globais.

Decisões autônomas e instantâneas

No evento, o autor e jornalista da rede americana CNN, Fareed Zakaria defendeu que os governos implementem inteligência artificial embarcada nos navios, Edge AI, para garantir decisões autônomas e instantâneas mesmo sob bloqueios de satélite.

Zakaria ressaltou também a adoção do chamado aprendizado federado — uma abordagem descentralizada para treinar modelos de aprendizado de máquina — que permite o compartilhamento seguro de modelos algorítmicos entre países aliados sem expor dados confidenciais de sensores.

© Adobe Stock/Karen
Courteney Rattray enfatizou a grande importância dos oceanos. (arquivo)

Em nome da ONU, Rattray destacou a relevância estratégica da navegação e das infraestruturas submarinas, lembrando que os mares transportam cerca de 90% do comércio mundial de commodities. Mais de 99% do tráfego internacional de dados passa por cabos localizados no leito marinho.

Esse ecossistema sustenta milhões de empregos, a conectividade digital, a segurança alimentar, o fornecimento de energia e a saúde do planeta, podendo gerar impactos profundos e imprevisíveis em caso de perturbação em pontos críticos.

Satélites e recursos cibernéticos

Rattray afirmou que ferramentas tecnológicas mais recentes, como a inteligência artificial aliada a sistemas autônomos, veículos operados remotamente, sensores avançados, imagens de satélite e recursos cibernéticos, já desempenham um papel essencial. Elas são cruciais na monitorização, na comunicação e na resposta a crises marítimas.

A ONU realça que essas inovações melhoram a percepção do domínio marítimo, aumentam a precisão nas tomadas de decisão, protegem embarcações e tornam os portos e as rotas de transporte mais seguros.

© Adobe/Igor Groshev
ONU diz que espaços marítimos sustentam a estabilidade e a prosperidade globais

No entanto, o duplo uso dessas plataformas traz graves ameaças, pois tecnologias criadas com finalidades civis podem ser adaptadas por grupos não estatais para ações não convencionais.

A organização defende que o aumento da conectividade e da autonomia também expõe o setor a ataques cibernéticos e interferências que podem paralisar operações sem a necessidade de uma agressão física direta.

Centro das estratégias de resposta

Além disso, a velocidade operacional dos sistemas autônomos aumenta os riscos de falhas, erros de cálculo e escaladas não intencionais de conflitos.

Rattray sublinhou que, diante desses perigos, é preciso manter a intervenção humana e as comunidades afetadas no centro das estratégias de resposta.

Ele reforçou que a tecnologia deve servir à humanidade, em um processo que requer supervisão responsável, transparência, segurança adequada e testes contínuos para compreender os limites operacionais dos sistemas.

© Adobe Stock/Zhou Yan
Mais de 99% do tráfego internacional de dados passa por cabos localizados no leito marinho

Para a ONU, existe uma estrutura jurídica internacional que oferece a base regulatória necessária para garantir inclusão, dignidade humana, sustentabilidade e não discriminação no desenvolvimento e uso dessas ferramentas.

Governança de inteligência artificial

Entre esses mecanismos estão a Carta das Nações Unidas, a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar e as convenções da Organização Marítima Internacional, OMI.

O debate destacou que a governança da inteligência artificial deve focar nos direitos humanos, em consonância com iniciativas como o Pacto Digital Global, o Painel Científico Internacional Independente sobre Inteligência Artificial e o Diálogo Global sobre Governança de IA.

Para fortalecer as respostas das Nações Unidas e das agências reguladoras, os países precisam conectar três pilares fundamentais: a ciência para fundamentar decisões, a política para estabelecer padrões de interoperabilidade e a capacidade técnica para que cada país possa avaliar, adotar ou rejeitar tecnologias segundo suas próprias necessidades e obrigações operacionais.

*Eleutério Guevane é jornalista-sênior na ONU News. 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).

To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).

Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.