O mundo está realizando, neste momento, o maior esforço global já documentado de restauração da natureza com 252 milhões de hectares sendo recuperados em 149 países. Além de beneficiar plantas e animais, a iniciativa está gerando um milhão de empregos verdes. 

Mas para alcançar a meta acordada entre os países, de restaurar 1 bilhão de hectares até 2030, o financiamento precisa quadruplicar e o ritmo das ações deve ser mais rápido com um foco em ecossistemas de água doce, marinhos e costeiros.

Retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada no Brasil

O Relatório de Progresso da Restauração: O Retorno da Natureza, divulgado nesta quinta-feira, é a primeira avaliação abrangente do progresso dos países na recuperação da biodiversidade. 

O documento inclui iniciativas de sucesso no Brasil como a recuperação da Mata Atlântica, em parceria com o Paraguai e Argentina. Mais de 300 organizações estão restaurando a paisagem, criando corredores ecológicos para espécies ameaçadas de extinção. 

O projeto, conhecido como Pacto Trinacional da Mata Atlântica, é reconhecido como uma das 35 Iniciativas de Referência da ONU para a Restauração Mundial e está assegurando o retorno de onças-pintadas e micos-leões-de-cara-dourada à Mata Atlântica brasileira. As ações já estão contribuindo para salvar 700 mil hectares de floresta no caminho para restaurar 1 milhão até 2030.

No país como um todo, os sistemas de satélite e monitoramento indicam que 3,4 milhões de hectares estão sendo recuperados.

Foto: Victor Utreras/ Pnud Equador
A onça-pintada está entre espécies ameaçadas de extinção

Reconhecimento do papel dos povos indígenas

O relatório está sendo lançado na metade da Década da Restauração de Ecossistemas, um esforço global criado pela ONU em 2021, sob liderança do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, e pela Organização da ONU para Alimentação e Agricultura, FAO, que também são responsáveis pelo relatório.

Dentre as fontes de dados utilizadas estão os documentos nacionais apresentados pelos países no marco da Convenção sobre Diversidade Biológica. 

Apesar da contribuição significativa dos Povos Indígenas para a gestão dos ecossistemas, apenas duas nações, Brasil e Iêmen, relataram a existência de áreas em processo de restauração em territórios indígenas em seus relatórios nacionais. 

Os povos indígenas administram ou detêm direitos de posse sobre pelo menos 3,9 bilhões de hectares de terra ao redor do globo, o que representa mais de um quarto da superfície terrestre do planeta. Essas áreas abrangem cerca de 40% de todas as zonas protegidas e paisagens ecologicamente intactas.

Iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre alcança US$ 7,8 bilhões

O Brasil também é reconhecido por liderar a iniciativa Florestas Tropicais Para Sempre, Tfff, na qual os rendimentos do capital aportado pelos patrocinadores são usados para financiar a manutenção e restauração das matas em países com florestas tropicais.

Até o encerramento da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas, COP30, realizada em 2025 no Brasil, mais de US$ 6,7 bilhões haviam sido prometidos frente a uma meta inicial de US$ 25 bilhões. A meta total de capitalização é de US$ 125 bilhões. 

Compromissos recentes, como dos Países Baixos, ou Holanda, em 26 de outubro, e do Reino Unido, no mês passado, elevaram a captação para US$ 7,8 bilhões. No momento, o mecanismo está sendo copresidido pelo Brasil e pela Noruega.

© Unep/Florian Fussstetter
O cacique Joel Puyanawa afirma que as técnicas agrícolas tradicionais, incluindo o plantio de árvores de madeira de lei, ajudaram a limitar o desmatamento no território Puyanawa

Restauração ajuda a enfrentar os maiores desafios globais

O relatório do Unep e da FAO ressalta que restaurar 15% das áreas prioritárias no mundo poderia evitar 60% das extinções projetadas de espécies. Também poderia absorver grandes quantidades do gás dióxido de carbono, CO², que aquece o planeta, uma função crucial para manter o aquecimento global abaixo de 2°C.

Ao mesmo tempo, a agrofloresta, que combina árvores com culturas ou gado, poderia melhorar a segurança alimentar de 1,3 bilhão de pessoas.

A coordenadora da Divisão de Ecossistemas do Pnuma, Natalia Alekseeva, destaca que restaurar ecossistemas degradados está entre as formas mais eficazes de enfrentar alguns dos maiores desafios do mundo.

Segundo ela, as ações de restauração podem reverter a perda de biodiversidade, ajudar as comunidades a se adaptarem às mudanças climáticas, produzir alimento suficiente para uma população global em rápido crescimento e garantir meios de subsistência.

*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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