O aumento dos custos da moradia, choques climáticos e conflitos estão deixando milhões de pessoas sem abrigo adequado.*
A cidade de Baku, capital do Azerbaijão, abriga a partir deste domingo o 13º Fórum Urbano Mundial da ONU, onde mais de 27 mil participantes debatem soluções para uma crise habitacional global cada vez mais profunda.
Baku, Azerbaijão, sediará a décima terceira sessão do Fórum Urbano Mundial, de 17 a 22 de maio de 2026, organizada pela ONU-Habitat e pelo Governo do Azerbaijão
2,8 bilhões de pessoas em moradias inadequadas
A conferência, organizada pelo Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos, ONU-Habitat, em parceria com o Azerbaijão, reúne líderes mundiais, prefeitos, especialistas, empresários, ativistas e organizações internacionais.
O tema do fórum é um chamado à ação: “Habitação para o Mundo: Cidades e Comunidades Seguras e Resilientes”.
Segundo a ONU, cerca de 2,8 bilhões de pessoas vivem atualmente em condições inadequadas de moradia, enquanto mais de 300 milhões não têm qualquer habitação. Com quase 70% da população mundial vivendo em cidades até 2050, a tendência é de agravamento da crise.
Em entrevista à ONU Vídeo, a diretora-executiva da ONU-Habitat, Anacláudia Rossbach, descreveu a situação como uma “crise habitacional global”.
Aumento do custo de vida
Ela explicou que “essa crise sempre foi mais severa e estrutural no Sul Global, mas agora também está sendo sentida no Norte Global”, afirmou.
Segundo Rossbach, o aumento do custo de vida tornou-se um grande problema, enquanto crises internacionais, incluindo a guerra no Oriente Médio e os riscos associados às cadeias globais de abastecimento, agravam ainda mais a situação.
Para ela, a moradia precisa ser cada vez mais vista como um elemento central da dignidade humana, da resiliência urbana e até da estabilidade global.
Aglomerado de casas das favelas do Complexo do Alemão, zona norte do Rio de Janeiro
Assentamentos informais: desafio e oportunidade
Um dos temas centrais do fórum será o rápido crescimento dos assentamentos informais, áreas não planejadas onde os moradores não possuem direito legal à terra e vivem em moradias precárias.
Atualmente, cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivem em favelas, e projeções indicam que esse número pode aumentar em mais 2 bilhões nas próximas décadas. As crianças estão entre as mais vulneráveis: estima-se que entre 350 milhões e 500 milhões vivam nessas condições.
Ao mesmo tempo, a ONU-Habitat defende uma mudança de abordagem que deixe de tratar os assentamentos informais apenas como um problema. Em muitos casos, esses bairros representam a única forma de milhões de pessoas conseguirem abrigo nas cidades.
Reconstrução após conflitos
Outro tema de destaque, em meio a conflitos e crises em andamento, será a recuperação das cidades após guerras e desastres. Até o fim de 2022, mais de 123 milhões de pessoas haviam sido deslocadas à força em todo o mundo, segundo a ONU, sendo que mais de 60% buscaram refúgio em áreas urbanas.
Perder uma casa é muito mais do que perder um teto, e pode representar a ruptura de comunidades, a perda de meios de subsistência e um profundo sentimento de insegurança.
Em Baku, o foco não será apenas fornecer abrigo, mas reconstruir vidas, restaurando bairros, criando empregos e ajudando comunidades a reencontrarem um caminho de volta à normalidade.
Um homem está na porta de sua casa inundada, de telhado de zinco, em uma vila costeira na Índia
Choques climáticos
Outra linha de debate será a crise climática como um dos principais motores da crise habitacional global. Eventos climáticos extremos, incluindo enchentes, tempestades e incêndios florestais, deslocaram mais de 20 milhões de pessoas somente em 2023.
Estimativas apontam que as mudanças climáticas poderão destruir 167 milhões de casas em todo o mundo até 2040.
Ao mesmo tempo, os edifícios continuam sendo uma das maiores fontes de emissões: o setor da construção responde por 34% das emissões globais de CO2 relacionadas à energia.
O fórum buscará, portanto, responder a duas questões interligadas: como construir mais moradias sem agravar ainda mais a crise climática.
Rossbach lembrou que todas as decisões ligadas à construção têm consequências para os recursos naturais, para a resiliência climática e para a capacidade das comunidades resistirem a choques e desastres.
Nova Agenda Urbana completa 10 anos
Ela disse que espera ver uma comunidade forte e diversa reunida em Baku e sair concluir o fórum com uma coalizão global mais robusta para enfrentar a crise habitacional.
O fórum em Baku também marca um importante momento político. Este ano marca uma década da adoção da Nova Agenda Urbana, aprovada em 2016.
Além disso, em julho, a Assembleia Geral da ONU, em Nova Iorque, realizará uma revisão de médio prazo da Agenda. As discussões em Baku devem ajudar a avaliar até que ponto o mundo avançou na construção de cidades mais sustentáveis, seguras e acessíveis.
Sobre o Fórum Urbano Mundial
O Fórum Urbano Mundial foi criado pela Assembleia Geral da ONU em 2001 e é organizado pela ONU-Habitat. Realizado a cada dois anos, é considerado a principal conferência internacional dedicada à urbanização sustentável e ao futuro das cidades.
O evento reúne governos, urbanistas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e representantes do setor privado para examinar como o rápido crescimento urbano está afetando comunidades, economias, infraestrutura e o clima.
Desde sua primeira edição, em Nairóbi, em 2002, o encontro já foi sediado por cidades em diferentes partes do globo.
*Com reportagem de Nargiz Shekinskaya, enviada especial da ONU News a Baku
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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