Nesta segunda-feira, as Nações Unidas abriram a Semana de Financiamento para o Desenvolvimento e o Fórum do Conselho Econômico e Social, Ecosoc.  

Para o secretário-geral, António Guterres, a ocasião é para acelerar a dimensão e a ajuda financeira necessária quando o fosso para atingir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODS, chega a US$ 4 trilhões anuais e cresce rápido.

Custos de energia em alta

O chefe da ONU declarou que o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o custo de combustível, fertilizante e alimentos, bem como em comércio, transporte e turismo se manifesta de forma visível. 

Ele disse que custos de energia pressionam finanças dos governos já com altos gastos, crescimento mais lento e depreciações de moeda, no que aumenta ainda mais os prejuízos nos países. Enquanto isso, a ajuda cai e gastos militares sobem.

Assistência Oficial ao Desenvolvimento caiu drasticamente de 23% em 2025

O secretário-geral frisou que governos “estão gastando mais em morte do que em desenvolvimento e paz”. Já o sistema financeiro global tenta alcançar as necessidades dos países desenvolvidos e ainda reflete as estruturas econômicas e políticas do passado. 

Credibilidade da ONU 

Na abertura do Fórum, a presidente da Assembleia Geral, Annalena Baerbock, lembrou que há um ano, foi adotado o Compromisso de Sevilha, um novo pacto global com medidas concordadas para apoiar os países de baixo rendimento.

Para ela, o mundo precisa é de ação, não de pausa total. De comunicar as promessas já feitas, e de deixar de renegociar textos e criar esperanças para eventualmente decepcionar as pessoas. A líder sublinhou que essas promessas vazias estão afetando a credibilidade da instituição e causando perda de tempo.

Além de altos funcionários da ONU, o evento reúne ministros das Finanças e das Relações Exteriores e especialistas do setor que pretendem impulsionar a implementação da Agenda 2030 e do Compromisso de Sevilha.

Agora a preocupação é com a alta de encargos com o serviço da dívida no mundo em desenvolvimento. Em 2024, o índice atingiu o maior nível em 20 anos. A Assistência Oficial ao Desenvolvimento caiu drasticamente de 23% em 2025.

Tensões geopolíticas, barreiras comerciais e choques do clima

Um relatório apresentado no Fórum de Alto Nível alerta que o progresso financeiro sustentável se estagnou e, em muitas áreas, está retrocedendo. 

Esse cenário piora com tensões geopolíticas, barreiras comerciais, choques climáticos frequentes e um abrandamento do multilateralismo. O estudo aponta desafios macroeconômicos principais que ameaçam o desenvolvimento a longo prazo.

Primeiro, o ambiente macroeconômico desigual e frágil após a economia global exceder as expectativas com um crescimento do Produto Interno Bruto, PIB, estimado em 2,8% em 2025, após investimentos no setor de Inteligência Artificial e mercados laborais robustos. 

No entanto, o crescimento permanece abaixo da média de 3,2% entre 2010 e 2019. Na recuperação considerada desigual, mais de um em cada quatro países em desenvolvimento ainda tem uma renda por pessoa inferior aos níveis de 2019.

Saúde, educação e infraestrutura

O segundo desafios são limitações financeiras. Os países mais pobres e vulneráveis enfrentam “uma tempestade perfeita de altos custos de capital, baixas receitas fiscais e queda no apoio internacional”. Em 2024, o serviço da dívida externa ultrapassou 20% das receitas governamentais em 14 países em desenvolvimento.

Além de estrangular investimentos em áreas como saúde, educação e infraestrutura, as taxas de juros para os países de baixa renda subiram para 8,4% em 2025.

O estudo aponta ainda a crescente fragmentação econômica. A reversão nas políticas de integração econômica global leva a altos níveis de incerteza, com potenciais custos sociais e econômicos severos, além de riscos de correções abruptas nos mercados financeiros.

Foto da ONU/Evan Schneider

Objetivo das sessões será lançar um novo e determinante capítulo para as finanças globais

O Fórum de Alto Nível na ONU também destaca dados sobre as fontes de financiamento global como o otimismo com o uso de energia renovável. Os investimentos globais na área alcançaram um recorde de US$ 2,2 trilhões em 2024, o dobro do investimento em combustíveis fósseis, que caiu para sua mínima histórica.

Compromisso de Sevilha

Outra questão é a estagnação da arrecadação interna. A receita tributária média nos países em desenvolvimento cresceu 1% nas últimas duas décadas, alcançando 14% do PIB. Até 77 países em desenvolvimento operam abaixo do limite de 15% estipulado no Compromisso de Sevilha.

Houve ainda um recuo do setor privado com a queda do Investimento Estrangeiro Direto em 11% em 2024, para US$ 1,49 trilhão, acompanhando a fragilidade registrada ao longo de 2025. 

Embora o financiamento combinado tenha crescido de US$ 32 bilhões para US$ 75 bilhões na última década, esse capital foi mais direcionado aos países de renda média. Assim, as nações menos desenvolvidas e os pequenos Estados insulares ficaram para trás.

Ao longo da semana, a expectativa é que os painéis de alto nível do fórum busquem soluções focadas em interesses privados, comércio internacional, reforma da arquitetura financeira e melhores sistemas de monitoramento de dados.

O objetivo das sessões será lançar um novo e determinante capítulo para as finanças globais.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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