Uma combinação de violência, crise humanitária e tensão geopolítica acaba de deflagrar gerando mais de 125 mil desalojados no Oriente Médio com o avanço dos combatentes rebeldes houthi ao longo da costa ocidental do Iêmen.

Este mês, até 18 mil famílias foram desabrigadas com a captura das ilhas de Grande e Pequena Hanish, no Mar Vermelho. O Conselho de Segurança debate nesta terça-feira a questão devido ao risco iminente de uma nova crise global no fornecimento de petróleo.

Velocidade do avanço militar

A situação é tida como crítica tanto em terra quanto no mar, após a tomada recente do porto de Mokha e da ilha de Perim. Os houthis consolidaram o controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb, rota que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico. 

A atividade militar enfraqueceu as forças locais apoiadas pela Arábia Saudita e levou a França a convocar uma reunião de emergência dos 15 Estados-membros do Conselho.

Com a diplomacia internacional tentando conter o conflito, a crise humanitária cresce a níveis altos. Num país há 12 anos em guerra com 4,8 milhões de deslocados, a nova ofensiva forçou milhares de famílias a fugirem sem nada.

Em desespero, mais de 2,4 mil pessoas cruzaram o perigoso estreito rumo ao Djibuti nos últimos quatro dias. Desse total, 60% são mulheres, crianças e idosos.

Capacidade de resposta

O representante da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, no Djibuti, disse que as pessoas chegam após uma travessia marítima difícil. Elas se apresentam exaustas, traumatizadas e carregando apenas o pouco que conseguiram pegar.

Para Sandrine Desamours, a atual capacidade de resposta já está no limite, sendo ainda “necessário apoio urgente antes que as necessidades superem os recursos.”

A ameaça paira também sobre 65 mil refugiados somalis e etíopes que já viviam no Iêmen e agora estão presos no fogo cruzado. Além disso, os cortes recentes da despesa enfraqueceram a presença de agências internacionais na região. 

OIM
Cerca de US$ 14 milhões são necessários para que Acnur possa prestar socorro emergencial

Pelas estimativas do Acnur, cerca de US$ 14 milhões são necessários para prestar socorro emergencial, incluindo abrigo, água limpa e assistência financeira, no Iêmen e no Djibuti.

Ameaça à logística mundial

Uma das referências é a vila de refugiados de Markazi que tem capacidade para acolher mais 5 mil pessoas, e agora se preparam para receber mais de 10 mil.

Para além do sofrimento humano, a instabilidade no estreito de Bab el-Mandeb ameaça sufocar a logística humanitária e comercial do planeta. 

Se os navios forem forçados a contornar o Cabo da Boa Esperança, no sul da África, as entregas de suprimentos essenciais para emergências no Iêmen e no Sudão sofrerão um atraso de 25 a 30 dias disparando os custos do frete global.

Nesta primeira quinzena de setembro, a ONU confirmou 40 vítimas civis na região, sendo que oito mortos e 32 feridos. Mulheres e crianças representam mais da metade das vítimas. 

Com estradas bloqueadas, o porto de Al Makha danificado e bombardeios constantes, as equipes de resgate pedem a abertura imediata de corredores humanitários seguros antes que o desastre seja irreversível.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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