A extração global de urânio tem acompanhado o crescimento da procura por novas soluções de energia nuclear em todo o mundo, marcada pelo aumento significativo dos gastos na exploração e no desenvolvimento de minas nos últimos anos.
As conclusões constam do novo relatório publicado pela Agência de Energia Nuclear da Ocde, NEA, e pela Agência Internacional de Energia Atómica, Aiea. O documento sublinha que o investimento nos centros de produção de urânio é essencial para suprir as exigências da procura global.
Exploração de urânio na Austrália.
Mais de 400 reatores nucleares ativos
Intitulado “Urânio 2026: Recursos, Produção e Procura”, a publicação reúne informações relevantes de 46 países produtores e consumidores de urânio. No início de 2025, um total de 418 reatores nucleares comerciais operavam em todo o mundo.
À medida que mais países procuram satisfazer a crescente procura de eletricidade, reforçar a segurança energética e avançar com metas ambientais mais exigentes, a agência projeta que a capacidade global de geração nuclear aumente substancialmente até 2050.
O investimento coletivo na expansão da capacidade nuclear aumentaria as necessidades anuais de urânio, passando de cerca de 64,5 mil toneladas de urânio anuais em 2025 para um intervalo entre aproximadamente 84,8 mil e 143,9 mil toneladas de urânio até 2050.
Urânio em crescimento
As recentes tendências de produção indicam um fortalecimento da resposta da oferta por parte do setor. A produção global de urânio cresceu aproximadamente 20% em 2023 e 2024, em comparação com os dois anos anteriores, revela a agência.
De acordo com a Aiea, o aumento da produção global foi impulsionado principalmente pela retoma de capacidade anteriormente parada e pela expansão da produção nas minas existentes, particularmente no Canadá.
Já os gastos globais com exploração e desenvolvimento ultrapassaram os US$ 1,78 bilhão entre 2023 e 2024, representando um aumento de cerca de 46% em relação aos valores verificados entre 2021 e 2022.
O minério de urânio é processado e transformado em um concentrado conhecido como yellowcake.
Disponibilidade de recursos não garante abastecimento
O relatório mostra que os recursos de urânio atualmente identificados, recuperáveis a valores inferiores a US$ 260 por quilograma de urânio, ultrapassam as 8,1 milhões de toneladas de urânio em nível global. Trata-se de um aumento de 2,1% face à edição anterior, publicada em 2025.
Este nível de recursos identificados é suficiente para satisfazer mesmo a maior procura projetada de urânio até 2050. No entanto, a Aiea enfatiza que a disponibilidade de recursos não garante, por si só, a segurança do seu abastecimento aos mercados.
Neste sentido, o departamento sublinha a necessidade de investimento contínuo, de licenciamento atempado de novos projetos de mineração e de preços de urânio adequados, suportados por contratos de longo prazo.
Estas medidas são fundamentais para manter o ritmo da exploração, viabilizar decisões finais de investimento para novas minas e acelerar a inovação em técnicas de extração, visando um melhor processamento e recuperação de recursos, conclui a publicação.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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