A pessoa mais jovem a participar oficialmente de uma edição do Fórum Político de Alto Nível da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável é brasileira e se chama Maria Vitória Brilhante, ou como prefere: Mavi Brilhante.
Com apenas 13 anos, ela já assume a grande responsabilidade de ocupar mesas de negociação e participar de debates frente a frente com autoridades de vários países. E isso ocorreu novamente, na semana passada, durante uma viagem às Nações Unidas.
“Me sinto representando milhões de jovens”
Durante a participação no Fórum Político na sede da ONU, em Nova Iorque, a ativista conversou com a ONU News sobre a experiência de falar neste espaço.
“Olha, eu não vou mentir para você que eu fico assim um pouco nervosa, porque tudo é algo diferente para mim. Não é todo dia que a gente está sentado em uma mesa diante de autoridades, ainda mais quando a gente fala de potências, quando a gente fala sobre meio ambiente. E assim, eu fico meio nervosa, mas eu sempre gosto de pensar que eu não estou fazendo aquilo só por mim. Eu estou representando milhões de jovens”.
Natural de João Pessoa, na Paraíba, ela conta que desde mais nova sempre gostou de cuidar de plantas e animais. Mas foi quando participou, pela primeira vez, de um mutirão de limpeza das ruas, que percebeu que esse era um caminho prático para fazer a diferença.
Ativista brasileira Mavi Brilhante participa de “Mutirão” para limpar praia
“Me preocupa ver gente que não se importa com a dor do outro”
Ao se engajar com causas ambientais, Mavi percebeu que os jovens, são uma das comunidades mais afetadas com as mudanças climáticas, mas com menos voz nas grandes decisões globais. Ela decidiu mudar isso e desde então tem integrado espaços de negociação, como as conferências das Nações Unidas sobre Mudança Climática em Dubai, em 2023, e em Belém, no ano passado.
Mavi contou se preocupar com o futuro que seus filhos vão encontrar, tendo em vista o estado atual de destruição do planeta, e lamentou que muitos líderes não demonstrem empatia.
“Algo que eu prezo muito, e que eu agradeço sempre a minha família, que me ensinou a ser muito empática. Então eu sempre me coloco no lugar do outro, eu sinto a dor da outra pessoa e eu percebo que muitas vezes as pessoas que estão em altos cargos, ou que estão a frente dessas lutas, elas não têm a empatia. Então elas não conseguem pensar naquela casa que caiu por causa de uma enchente, naquelas pessoas que perderam casas, famílias. Elas não conseguem se colocar no lugar da outra pessoa, então para elas está tudo bem. Elas vivem num lugar bom, elas não estão sendo tão afetadas, mas isso vai chegando um ponto que vai comendo de baixo até chegar em cima. Então eles podem estar em cima, mas uma hora eles também vão ser afetados. Eu acho que isso que me deixa tão preocupada, é ver que tem gente que ainda não se importa com a dor do outro”.
Mavi Brilhante participa de uma reunião na sede da ONU em Nova York.
Jovens estão vendo suas famílias perderem tudo
A jovem ativista, ressaltou que os governos podem fazer mais para cuidar do meio ambiente, inclusive aplicando decisões e acordos que já foram aprovados no âmbito das Nações Unidas.
“Quando a gente conversa com pessoas que estão em um cargo mais alto, eles muitas vezes escutam, eles acham bonitinho uma criança falando, uma criança que está lá lutando. Só que eles falam que eles vão fazer isso, só que eles nunca fazem. É algo, tipo assim, que eu sinto falta. É falta desse pessoal querer fazer, deles começarem a agir. Algo que eu dou um exemplo muito bom é o Acordo de Paris. Ele já está todo pronto. É um plano muito bom, que eu acho incrível. Eu já vi várias vezes, converso muito com meus pais sobre isso, só que eles não começam a executar e eu fico pensando: Por que eles sempre tentam procurar tantas ideias mirabolantes e não começam a agir de onde já está feito?”
Mavi disse que é mais fácil convencer outros jovens sobre a causa ambiental do que os políticos, até porque muitas crianças já sofrem os efeitos da crise climática e estão vendo suas famílias perderem tudo.
A ativista brasileira Mavi Brilhante discursa em uma sala de aula.
Furando as “bolhas” dentro da comunidade juvenil
Mas ela comentou que existem algumas “bolhas” dentro da comunidade juvenil, que precisam ser estouradas. Ela tenta fazer isso por meio de palestras divertidas em escolas e postagens nas redes sociais que misturam temas sérios com conteúdos mais leves, como um diário de viagem ou a escolha de uma roupa para sair. Tudo isso sem deixar de viver a própria infância.
A ativista espera que possa servir de inspiração para outras meninas e encorajar os jovens que ainda não abraçaram a ação climática.
“Eu quero abrir essa porta, porque eu sei que o impacto que eu crio não é apenas ambiental, mas também é um impacto social, porque a gente não vê tantos jovens e a gente não vê tantas mulheres nas políticas e participando de justiça climática. Então, eu penso que daqui alguns anos várias outras meninas vão olhar para mim e vão pensar que se eu consegui chegar, elas também vão. Então eu quero abrir essa porta. E se for para levar um não, eu quero levar esse não para poder achar um sim”.
Mavi Brilhante defende que não é preciso ter um cargo importante ou muita idade para atuar nesse tema e disse que os jovens não devem se considerar inferiores, pelo contrário, eles devem ter consciência que carregam a esperança necessária para a criação de uma nova realidade.
*Felipe de Carvalho é jornalista da ONU News.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).
To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).
Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.





























