A saúde dos mares está piorando de forma alarmante, de acordo com a Terceira Avaliação Global dos Oceanos, WOA-3, divulgada pela ONU nesta segunda-feira, por ocasião do Dia Mundial dos Oceanos.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, ressaltou que os mares estão em apuros e fez um apelo à humanidade para não os tratar como um recurso ilimitado.
Os riscos associados aos chamados “poluentes emergentes” vão muito além do lixo plástico visível
Taxa de aumento do nível do mar foi a 50%
O estudo tem 25 autores. A ONU News conversou com dois deles: o professor brasileiro Ronaldo Christofoletti e a pesquisadora portuguesa Maria João Bebianno.
Christofoletti disse que as cidades costeiras sofrem ameaça cada vez mais grave, com impactos significativos para o Brasil, que tem mais de 8 mil km de litoral.
“O que o relatório confirma? O aumento do nível do mar, a taxa com que ele cresce por ano aumentou mais de 50% desde o último relatório, há quatro anos. Ela era em torno de 3,2 milímetros por ano. Agora está confirmado em 4,3 milímetros por ano. É o quanto esse mar atingir, ele vai atingir onde? ele vai ter o seu impacto onde? Principalmente nas zonas costeiras. Então se a gente olha a nossa costa, todas as nossas cidades costeiras. Quantas capitais nós não temos nestes 17 Estados costeiros com grande quantidade de população? E ela vai ser impactada”.
O especialista diz que novos recordes de degelo na região do Ártico, no Polo Norte, e da Antártica, no Polo Sul, jogam mais água nos mares e causam uma desregulação da relação do oceano com a atmosfera, alterando as frentes frias e o regime de chuvas no Brasil.
Concentração de antibióticos no oceano
Outra coautora do texto, a cientista Maria João Bebianno ressaltou o risco associado aos chamados “poluentes emergentes”, que vão muito além do lixo plástico visível.
“Estamos a assistir a um aumento da concentração de antibióticos no oceano. Isto faz com que surjam espécies de bactérias e genes resistentes no mar, gerando uma situação muito semelhante à que enfrentamos hoje com as superinfecções nos hospitais. É alarmante. Precisamos de recuperar a saúde do oceano para, assim, recuperarmos a saúde humana.”
Ela afirmou que o relatório inova ao integrar o conceito de “Uma Só Saúde”, que marca a associação entre o bem-estar marinho e o da humanidade.
O WOA-3 aponta forte expansão dos impactos da poluição plástica sobre a biodiversidade marinha. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies afetadas por plástico, o novo texto aponta 4.076 espécies impactadas.
Perda de oxigênio nos mares
Além disso, a especialista ressalta que o estudo documenta fenômenos físicos invisíveis aos olhos do cidadão comum, mas arrasadores: a acidificação e o aquecimento do mar, elevando o nível das águas através da expansão térmica.
O outro é a perda de oxigênio no ambiente oceânico, elemento químico essencial para a vida da Terra. A desoxigenação das águas tem implicações diretas na sobrevivência de espécies marinhas e terrestres.
O secretário-geral da ONU, disse que o documento envia um alerta sobre a crise tripla afetando o ecossistema mundial: alteração do clima, perda de biodiversidade e poluição.
Clima, ecossistemas e economias
Para Guterres, em tempos turbulentos, o oceano lembra à humanidade que está conectada. Ele enfatizou que os mares moldam o clima, sustentam os ecossistemas e as economias, alimentando ainda bilhões de pessoas.
O WOA-3 é considerado a análise mais completa já realizada e engloba dados sobre saúde humana, áreas protegidas, produção de alimentos, turismo exploração tecnológica, governança, entre outros.
Mais de 550 cientistas, de 86 países, contribuíram com as pesquisas que embasam o documento. Os dados do WOA-3 referem-se principalmente ao período entre 2018 e 2023.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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