O comércio de produtos de origem aquática continua a atingir níveis recorde. Pela primeira vez, a produção de animais aquáticos provenientes da aquacultura ultrapassou a marca das 100 milhões de toneladas em 2024.
Com um valor inédito de US$ 184 biliões, o comércio de animais aquáticos rivaliza agora com o comércio de carne terrestre, conclui o novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, intitulado “O Estado Mundial das Pescas e da Aquacultura”.
Produção global atinge novo recorde
A publicação estima que a produção global de pescas e aquacultura atingiu um recorde de 235 milhões de toneladas em 2024, das quais 195 milhões correspondem a animais aquáticos.
Este crescimento confirma a centralidade do setor na alimentação mundial: 89% da produção destina-se ao consumo humano, fornecendo, pelo menos, um quinto da proteína animal consumida por 3,1 biliões de pessoas.
O setor é ainda responsável pela subsistência de 600 milhões de pessoas em todo o mundo.
Fazenda de Camarão, em Calhau, Cabo Verde. As pescas fornecem alimentos, melhoram índices de nutrição e sustentam meios de vida
Disponibilidade global mantém-se assimétrica
O relatório nota um aumento da disponibilidade global de alimentos de origem aquática per capita, de 21,1 kg em 2023, subindo para uma estimativa de 21,3 kg em 2024.
No entanto, a maior acessibilidade é marcada por fortes assimetrias a nível global. Enquanto, na Ásia, o consumo é de 26,3 kg por pessoa, em África é de apenas 9,1 kg por pessoa, bem abaixo da média global.
Crescimento sustentável e equitativo
O setor de produtos aquáticos enfrenta pressões relacionadas com as alterações climáticas, a degradação ambiental, choques económicos e mudanças geopolíticas, que comprometem a sua sustentabilidade.
A agência das Nações Unidas estima uma redução superior a 10% da biomassa piscícola explorável até 2050 em várias regiões do mundo.
Neste sentido, a FAO destaca que o crescimento sustentável e equitativo dos sistemas de produção aquática constitui uma prioridade central para a gestão sustentável dos ecossistemas marinhos e de águas interiores.
“O relatório demonstra que, mais do que nunca, um planeta saudável requer oceanos e águas interiores saudáveis”, escreveu, no prefácio, o Diretor-Geral da FAO, Qu Dongyu, que acrescenta a necessidade de “assegurar todos os esforços necessários para inverter o declínio da sustentabilidade e garantir o potencial a longo prazo do setor para as gerações futuras.”
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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