Quem viaja com frequência já viu essa cena: o avião começa uma descida, mas, em vez de seguir em direção à pista, fica circulando ao redor do aeroporto.
Não se trata necessariamente de uma falha técnica ou de mau tempo. Muitas vezes, é uma manobra de espera, para manter a aeronave no ar até que haja espaço para pousar.
Segundo a Organização da Aviação Civil Internacional da ONU, Icao, as companhias aéreas de todo o mundo transportam cerca de 5,7 milhões de passageiros por dia.
Céus cada vez mais congestionados
É um sintoma de céus cada vez mais congestionados, onde uma tempestade, uma emergência ou uma rota fechada em um local podem causar atrasos a milhares de quilômetros de distância.
Mas o custo dessa manobra é enorme. Só na Europa, os atrasos na gestão do tráfego aéreo custaram mais de US$ 2,3 bilhões em 2025, segundo a Eurocontrol, a entidade responsável pela navegação aérea no continente.
E se os países coordenassem seus voos da mesma forma que uma cidade sincroniza seus semáforos?
Essa é a ideia por trás de uma iniciativa da Organização Internacional da Aviação Civil, Icao.
Gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo
O secretário-geral da agência, Juan Carlos Salazar, disse em entrevista à ONU News que “se os semáforos funcionarem independentemente, o trânsito vira um caos e há engarrafamentos em todas as esquinas”.
Insistindo na comparação, ele afirmou que se alguém recebe sinal verde em uma rua e é parado na seguinte, o congestionamento aumenta imediatamente. Salazar ressaltou que o mesmo acontece com o tráfego aéreo ao redor do globo.
Ele defende que a solução começa muito antes do pouso. Se um aeroporto sabe que não pode receber mais aeronaves por um determinado período, pode coordenar com outros aeroportos para atrasar as decolagens, em vez de deixar aviões sobrevoando a área.
Essa abordagem, conhecida como gerenciamento do fluxo de tráfego aéreo, permite que companhias aéreas, aeroportos, controladores e serviços meteorológicos compartilhem informações e tomem decisões em conjunto.
Aeroporto Internacional de Los Angeles
Em busca de uma recuperação mais rápida
Diversos países já utilizam esse sistema, mas os benefícios são limitados quando os sistemas nacionais não se comunicam entre si. Após cinco dias de negociações em Montreal, organizadas pela Icao, governos e a indústria declararam apoio a uma implementação global mais rápida.
Para os passageiros, isso deve significar avisos mais antecipados sobre cancelamentos e atrasos, bem como uma recuperação mais rápida quando as coisas dão errado.
Salazar lamentou que, atualmente, “quando as pessoas chegam ao aeroporto, muitas vezes esperam o dia todo e ninguém lhes diz nada sobre atrasos e mudanças”.
Um problema que dura uma hora ou um dia afeta todos os voos programados posteriormente, e o sistema atual demora a se recuperar.
Economia de tempo, dinheiro e combustível
Com a mudança para o novo modelo, os ganhos já são mensuráveis. Nas Américas, os testes colaborativos apoiados pela Icao pouparam mais de 265 mil minutos de tempo de voo em 2026, e mais de US$ 38,9 milhões.
Eles também economizaram cerca de 13.330 toneladas de combustível e evitaram a emissão de 42.160 toneladas de dióxido de carbono, contribuindo para a meta de emissões líquidas zero de carbono na aviação internacional até 2050.
Na Europa, um programa da Eurocontrol que antecipa condições meteorológicas e congestionamentos evitou cerca de 3,1 milhões de minutos de atrasos entre maio e agosto de 2026, economizando aproximadamente US$ 448 milhões e tornando a rede 14% mais estável nos piores dias.
Exemplos positivos no Brasil e na Colômbia
Salazar afirmou que o Brasil e a Colômbia já operam sistemas desse tipo há anos, mas principalmente em nível nacional, o que exclui os voos internacionais que cruzam o espaço aéreo.
O chefe da Icao disse que a informação precisa ser compartilhada e, muitas vezes, isso não acontece, “por falta de vontade ou por falta dos meios para transmiti-la em tempo real”.
Ele exemplificou dizendo que um voo da Europa para a Austrália ou Nova Zelândia atravessa quatro ou cinco regiões, e isso exige uma excelente coordenação, que não existe hoje.
Um drone é uma aeronave não tripulada, também conhecida como veículo aéreo não tripulado
Drones, mísseis e satélites
Além disso, os conflitos são um desafio adicional, que obriga as companhias aéreas a desviarem suas rotas em torno de zonas de perigo, criando novos gargalos. Um céu onde circulam drones, mísseis e satélites reforça a necessidade de uma coordenação ainda mais estreita.
Para Salazar, o objetivo é simples: “um sistema de transporte aéreo que alcance todas as pessoas do mundo, para que todos vejam os benefícios de estarem conectados”.
A Icao, com 193 Estados-membros, estabelece normas comuns e fornece assistência técnica para que os países possam coordenar suas atividades, independentemente dos recursos disponíveis. Novas regras internacionais sobre gestão de fluxos estão previstas para novembro de 2030, com oficinas regionais planejadas para 2027.
A agência prevê que o transporte aéreo poderá atingir 12,4 bilhões de passageiros até 2050.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
To submit your press release: (https://www.globaldiasporanews.com/pr).
To advertise on Global Diaspora News: (www.globaldiasporanews.com/ads).
Sign up to Global Diaspora News newsletter (https://www.globaldiasporanews.com/newsletter/) to start receiving updates and opportunities directly in your email inbox for free.


























