Nas últimas três décadas, mais de 220 mil crianças foram libertadas de grupos armados e inseridas em iniciativas de proteção infantil.
Esse é o resultado concreto do trabalho de diversos representantes especiais do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, que apoiaram a assinatura de mais de 40 planos de ação com movimentos que participavam de conflitos.
Uma segunda chance
A atual representante para o tema, Vanessa Frazier, falou ao Conselho de Segurança da ONU que os maiores indicadores de sucesso são: alcançar essas crianças, libertá-las, colocá-las na escola e punir os responsáveis por violações.
Segundo ela, uma implementação bem-sucedida desses compromissos significa “crianças que recebem uma segunda chance na vida, famílias reunidas e comunidades que começam um processo de cura”.
Ela citou exemplos como o da República Democrática do Congo, onde o plano de ação ajudou a estabelecer medidas para acabar com o recrutamento e a utilização de crianças pelas Forças Armadas nacionais, bem como para prevenir tais práticas.
Já na Colômbia, um programa nacional tem apoiado milhares de crianças que deixam grupos armados a reconstruir as suas vidas em comunidades civis.
Um menino de onze anos senta-se no dormitório de um centro de reintegração para crianças-soldados recentemente desmobilizadas em Goma, República Democrática do Congo. (arquivo)
Diplomacia persistente
A representante especial conta que cada plano de ação exige engajamento contínuo, verificação criteriosa e acompanhamento prático. Segundo ela, esses exemplos demonstram que “uma diplomacia persistente, fundamentada em evidências confiáveis, pode alterar a conduta das partes e transformar a vida de crianças”.
Em 2005 o Conselho de Segurança criou um Grupo de Trabalho sobre Crianças e Conflitos Armados. A partir daí, surgiram um mecanismo de monitoramento e relato sobre crianças e conflitos armados, a elaboração do relatório anual do secretário-geral, bem como a integração de capacidades de proteção dos menores nas operações de paz, entre outros avanços.
Vanessa Frazier adicionou que a atuação também envolve apoio a mudanças legais e políticas, incluindo medidas para criminalizar o recrutamento e a utilização de crianças em conflitos, proteção das escolas contra-ataques e garantias de que as crianças nascidas em cativeiro possam ser registradas.
A representante especial pediu aos países que compromissos políticos venham acompanhados de “financiamento previsível, flexível e plurianual” para sustentar as ações de monitoramento, prevenção e reintegração.
O papel de Graça Machel na origem do cargo
O ano de 2026 marca o trigésimo aniversário da criação do mandato do representante especial do secretário-geral para Crianças e Conflitos Armados, por meio da resolução 51/77 da Assembleia Geral, de 1996.
Graça Machel lembrou que a proteção das crianças passa por um conhecimento de instrumentos legais para abordagem do assunto
A criação do cargo veio na sequência de um relatório elaborado pela moçambicana Graça Machel, que havia sido nomeada em 1994, pelo então secretário-geral da ONU, Boutros Boutros-Ghali, como perita independente para realizar um estudo global sobre o os danos desproporcionais da guerra sobre os menores.
O documento intitulado “O Impacto dos Conflitos Armados sobre as Crianças” teve muita repercussão internacional e recomendava à Assembleia Geral a criação de um mandato permanente para esta causa.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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