A razão da revolução da inteligência artificial deve ser centrada nas pessoas. E o futuro do trabalho dependerá não apenas dos avanços tecnológicos, mas também das políticas, instituições e do diálogo social. O apelo foi feito pelo diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo, em seu discurso de abertura na Conferência Internacional do Trabalho.
“O futuro do trabalho não será determinado apenas pela tecnologia, mas também pelas políticas, instituições e diálogo social que o orientam”, disse.
Salário melhor e mais proteção trabalhista
Com base no seu relatório – Um momento de escolha: aproveitar o potencial da inteligência artificial para o trabalho decente, o líder da OIT destacou uma agenda estratégica estruturada em torno de quatro pilares: direitos, emprego e competências, proteção social e diálogo social.
Segundo ele, trabalhadores em todo o mundo devem ter direito a se beneficiar dos ganhos de produtividade da inteligência artificial.
“Esses ganhos precisam ser distribuídos de forma justa, por meio de melhores salários, proteção trabalhista mais robusta e um crescimento mais inclusivo”.
A negociação coletiva será essencial, de acordo com ele, juntamente com uma “governança da IA baseada na transparência, na responsabilização e na supervisão humana”.
Escolhas impactarão futuro
Para Houngbo, “as escolhas que fizermos hoje determinarão se a IA ampliará as oportunidades e a prosperidade compartilhada ou se aprofundará as desigualdades e a insegurança”.
Esses desafios estão inseridos no contexto de uma economia global marcada por crescentes incertezas e pressões sobre os empregos e os meios de subsistência.
“Nos reunimos em um momento de profunda incerteza. A economia global continua frágil e a crise no Oriente Médio emergiu como uma importante fonte de risco para trabalhadores, empresas e comunidades”, afirmou.
Diretor-geral da OIT, Gilbert F. Houngbo
Perda de horas de trabalho e renda
De acordo com as estimativas da OIT, em um cenário de choque prolongado nos preços do petróleo, o total de horas trabalhadas no mundo poderá cair, ainda este ano, o equivalente a 14 milhões de empregos em tempo integral, chegando a 38 milhões de desses empregos em 2027.
As perdas de renda do trabalho poderão alcançar até US$ 3 trilhões até 2027, com impactos particularmente severos nos Estados Árabes e efeitos indiretos em toda a região da Ásia e do Pacífico.
Trabalho na economia de plataformas e igualdade de gênero
O Comitê de Elaboração de Normas da Conferência realizará a segunda discussão sobre trabalho decente na economia de plataformas, com o objetivo de adotar novas normas internacionais do trabalho. Se aprovadas, elas serão as primeiras voltadas especificamente para os impactos da digitalização no mundo do trabalho.
Já o Comitê de Discussão Geral abordará a igualdade de gênero no mundo do trabalho, examinando as barreiras estruturais que continuam a limitar as oportunidades para as mulheres e as políticas necessárias para garantir que as transições tecnológica, ambiental e demográfica contribuam para mercados de trabalho mais igualitários e inclusivos.
Outros assuntos da Conferência
Também serão discutidos os temas do diálogo social e do tripartismo, analisando como uma cooperação mais estreita entre governos, empregadores e trabalhadores pode contribuir para enfrentar os desafios da transformação digital e do aumento das desigualdades, ao mesmo tempo em que fortalece a governança do mercado de trabalho e promove a justiça social.
A Conferência Internacional do Trabalho reúne, até este 12 de junho, representantes de governos, empregadores e trabalhadores dos 187 Estados-membros da OIT para debater temas com impactos de longo prazo sobre o mundo laboral.
*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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