A iniciativa Born Perfect Bus Tour ou Nascida Perfeita, Passeio de Ônibus está levando conscientização sobre mutilação genital feminina para cidades na Libéria, na África.
Para liderar as conversas, um ônibus está percorrendo os espaços comunitários do país, em áreas onde o tema raramente é debatido. Ao todo, mais de 3 mil pessoas já participaram do projeto e muitos decidiram abandonar as mutilações.
Ritual de iniciação
O projeto aposta na transformação de espaços públicos com música, histórias, performances artísticas e comédia.
Com apoio da ONU Mulheres e da Embaixada da Irlanda na Libéria, em parceria com parceiros da sociedade civil, os encontros contam com uma equipe psicossocial treinada para acompanhar a participação voluntária de sobreviventes.
Antes dos ônibus chegarem aos locais, as equipes se reúnem com líderes tradicionais, grupos de mulheres, jovens e autoridades religiosas para esclarecer o objetivo de interromper apenas as práticas prejudiciais à saúde, sem interferir na cultura local.
Mais 27 milhões de meninas e mulheres poderão ser vítimas da mutilação genital nos próximos cinco anos
Segundo ONU Mulheres, os principais fatores para a continuidade da mutilação genital feminina, conhecida como FGM, são tradição, aceitação social e elegibilidade para casamento. Já a aceitação das mulheres é motivada por medo das consequências sociais.
Na Libéria, as chamadas “escolas na mata” são acampamentos nas florestas em que líderes espirituais iniciam jovens na vida adulta, e incluem as mutilações em seus rituais de “iniciação”.
Escolas da mata
Desde o início do projeto, houve aumento dos debates sobre o assunto no âmbito familiar, nos espaços comunitários e em centros religiosos, especialmente em mesquitas, o templo da fé muçulmana.
O líder e escrivão Daniel E. Kollie, afirmou que foi a primeira vez que ele ouviu sobre os perigos da mutilação genital feminina, e que este não era um assunto abordado pela comunidade antes.
A ONU Mulheres registrou queda no número de pessoas que apoiam o envio de meninas para as escolas na mata. Em alguns condados do país, lideranças declararam publicamente apoio ao fim da prática e interdição dos acampamentos.
A campanha encerrou o seu percurso na capital, apresentando os dados aos formuladores de políticas públicas. A ação uniu parlamentares e sociedade civil na tentativa de aproximar a comunidade das decisões legislativas do país.
A sobrevivente Janet Wokpeh espera que as pessoas tenham conseguido entender os impactos negativos das mutilações e que estejam engajadas para a sua proibição.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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