Um novo relatório da União Internacional de Telecomunicações, UIT, revela que 6,3 bilhões de pessoas estão conectadas à internet. O total corresponde a 76% da população mundial. Mesmo assim, para quase 2 bilhões de cidadãos, o acesso online segue sendo um sonho.

A análise Fatos e Números 2026, lançada em Genebra, destaca que a expansão global acelerou, mas a lacuna tecnológica entre nações de alta renda e economias em desenvolvimento continua determinando o futuro da inclusão digital.

Contraste global

Em países de língua portuguesa, esse contraste global se revela na urgência de investimentos em infraestrutura e competências digitais. Com alguns mercados avançando na esteira do 5G e da inteligência artificial, IA, outros encaram custos proibitivos e cobertura limitada.

No cenário global deste ano, ter acesso à internet deixou de ser uma conveniência para se tornar a linha divisória entre oportunidade e exclusão. O estudo frisa que, embora a exclusão global tenha diminuído baixando o contingente desconectado para 2 bilhões de pessoas, o acesso continua extremamente desigual.

Enquanto 93% das populações de países de renda alta estão online, nas economias de baixa renda essa taxa cai para apenas 32%.

Nos dados regionais do relatório, destacam-se abismos e progressos significativos. Europa e América Latina mantêm índices de acesso alinhados às médias de alta renda e renda média-alta.

Ecossistemas orientados por IA

Com taxas de penetração entre 84% e 95%, Portugal e Brasil estão entre as nações que impulsionam a transição para redes 5G e a adoção de ecossistemas orientados por IA.

Já na África lusófona, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe são exemplos dos desafios da conectividade na região subsaariana, onde a média de uso da internet continua em até 36% da população.

Países como Cabo Verde destacam-se com metas de acessibilidade alcançadas, enquanto Angola e Moçambique enfrentam o desafio da cobertura 4G e 5G no interior e da acessibilidade financeira dos pacotes de dados.

Na Ásia-Pacífico, Timor-Leste está entre os países em desenvolvimento que enfrentam desafios estruturais semelhantes aos dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, Sids. Os custos de infraestrutura demandam investimentos urgentes para garantir uma inclusão digital real.

Lacunas de acesso e infraestrutura

Examinando os indicadores, o retrato da conectividade detalha onde estão as maiores lacunas de acesso e infraestrutura. O mais recente panorama digital retrata o acesso à tecnologia, com reflexos profundos e diretos em todo o espaço lusófono.

O documento destaca a caminhada global rumo a uma inclusão cada vez mais fluida. Em relação à paridade de gênero, 79% dos homens e 74% das mulheres estão conectados, havendo um impulso acelerado de iniciativas de capacitação feminina no setor de tecnologia, especialmente na África e na América Latina.

Em paralelo, os jovens distinguem-se como o motor da transformação, com 86% das pessoas entre 15 e 24 anos online.

Fosso urbano-rural continua um obstáculo

O dado supera os 74% do restante da população, o que revela uma geração nativa digital que dinamiza a economia dos criadores de conteúdo e busca ativamente oportunidades de trabalho remoto, do Brasil a Portugal, passando pelos países africanos de língua oficial portuguesa.

No entanto, por trás dessa aceleração digital, persistem abismos estruturais. O fosso urbano-rural continua sendo uma barreira: enquanto 82% dos moradores das cidades estão conectados, o índice cai para 63% nas zonas rurais, impondo um desafio crítico para as vastas extensões territoriais de Angola, Moçambique e do interior brasileiro.

Essa assimetria repete-se na penetração das redes 5G, que já cobrem 59% da população mundial, mas escancaram a desigualdade global ao alcançar 86% das populações de alta renda, contra meros 4% nas de baixa renda.

Na prática, isso se traduz em uma transição veloz em Portugal e nos grandes centros urbanos do Brasil, enquanto as capitais lusófonas africanas ainda dão seus primeiros passos.

Ferramentas de inteligência artificial

Essas disparidades refletem-se diretamente no consumo mensal de dados, onde a média de 20 GB por assinatura nos países ricos contrasta com 3,4 GB nas economias mais vulneráveis, restringindo de forma severa o acesso a vídeos, cursos online e ferramentas de inteligência artificial.

Por fim, a acessibilidade financeira mostra que, embora o custo mediano da banda larga móvel tenha caído para 1,2% do rendimento nacional bruto por pessoa, os Países Menos Avançados ainda afetam cerca de 6,1% da sua renda, mantendo a porta de entrada da era digital fora do alcance das populações mais pobres do bloco.

Para a secretária-geral da UIT, Doreen Bogdan-Martin, na era da IA, estar desconectado significa ser excluído de inúmeras oportunidades, da educação ao emprego.

Conectividade mais significativa para todos

Ela defende que, mais do que nunca, é preciso expandir a conectividade e torná-la significativa para todos, em todos os lugares. Para além de apenas conectar pessoas à rede, o grande desafio apontado pela agência da ONU é a conectividade significativa.

O diretor do Departamento de Desenvolvimento de Telecomunicações da UIT, Cosmas Zavazava, reconhece o progresso alcançado até agora e ilustra o trabalho que ainda há pela frente para traduzir o acesso às tecnologias digitais em conexões significativas capazes de melhorar a vida das pessoas.

Para que isso aconteça, ele recomenda priorizar a entrega de competências digitais.

*Com informações da UIT.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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