Um relatório da ONU alerta para um cenário de sequência de falhas nas infraestruturas digitais, cujas “distúrbios em cascata” interromperiam o funcionamento de setores e serviços essenciais para a população global.

Publicado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Redução do Risco de Catástrofes, Undrr, pela União Internacional das Telecomunicações, UIT, em conjunto com a universidade Sciences Po Paris, o documento descreve um cenário plausível de “pandemia digital”.

Falhas digitais em cascata

Segundo o estudo, vários cenários de propagação em cascata de falhas nos sistemas digitais, provocadas por tempestades solares, ondas de calor ou danos em cabos submarinos.

Entre os impactos previstos contam-se irregularidades generalizadas nas redes elétricas, sobrecarga dos centros de dados e o isolamento digital de regiões inteiras durante semanas.

O relatório indica que até 89% das interrupções digitais não resultam do choque inicial, mas sim de efeitos em cadeia entre sistemas. Por sua vez, o número de pessoas afetadas por esses efeitos pode ser até 10 vezes superior ao total de pessoas inicialmente expostas ao incidente original.

Cortesia da ASN
Um operário coordena a instalação de um grande cabo submarino a partir de um navio no porto do Porto, Portugal, durante a Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos de 2026

Interdependência digital e geográfica

No cerne destes riscos, o relatório identifica a densa rede de interdependências entre infraestruturas como redes elétricas, cabos submarinos, satélites e centros de dados, que constituem a base dos sistemas digitais globais.

Ao mesmo tempo, existe a interdependência geográfica entre os seus utilizadores, contabilizando-se 5,5 bilhões de pessoas que utilizam a internet, numa rede de infraestruturas digitais que se estende aos quatro cantos do planeta.

Esta intensa interligação mundial apresenta vantagens evidentes, mas também comporta grandes riscos, avisa o relatório.

Reforço de capacidades

O documento indica que os países não dispõem das medidas necessárias para enfrentar as falhas digitais em grande escala, quer intencionais – como cortes de eletricidade ou ruturas de cabos submarinos –, quer não intencionais – causadas por catástrofes naturais ou falhas internas.

De acordo com a ONU, a gravidade e a iminência destes impactos exigem uma resposta concertada e coletiva entre os Estados e instituições responsáveis.

O estudo revela a necessidade de reforçar normas internacionais, de manter capacidades de intervenção analógicas e de melhorar a coordenação e a interoperabilidade dos sistemas digitais.

Segundo o documento, o risco de uma catástrofe digital não é uma questão de ‘se’, mas de ‘quando’. 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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