Quase 138 milhões de crianças ainda estão em situação de trabalho infantil, dos quais 54 milhões em trabalhos perigosos. Mais da metade – 57% – são meninos e meninas muito pequenos, entre 5 e 11 anos de idade. Esses dados foram apresentados pelo diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, OIT, Gilbert Houngbo. O Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil é comemorado neste 12 de junho.

Ele explicou que o lema deste ano: “Cartão Vermelho para o Trabalho Infantil: Jogo Limpo para as Crianças, Trabalho Decente para os Adultos” nos lembra que a infância deve ser uma época de aprendizagem, de crescimento e de brincadeiras. 

Presente e futuro comprometidos 

O chefe da OIT destacou que para esses 138 milhões de crianças, o trabalho lhes deixa pouco ou nenhum tempo para a escola, para descansar. Essas crianças são privadas não só de oportunidades futuras, como também de todas as experiências que as crianças têm direito de ter. 

Ele disse isso no evento “Cartão Vermelho para o Trabalho Infantil: de Marrakech à ação”, realizado durante a Conferência Internacional do Trabalho. 

“Os avanços obtidos desde o ano 2000 demonstram que é possível erradicar o trabalho infantil. Não devemos aceitar o trabalho infantil como algo inevitável, porque não é. Por isso, lhes peço que mostremos todos o cartão vermelho contra o trabalho infantil”.

© Unicef/Michael Songa
OIT envolve governos ou parceiros sociais, como organizações de empregadores e de trabalhadores co combate ao trabalho infantil

Avanços, mas é preciso mais 

Segundo Houngbo, houve progressos: em todas as regiões do mundo, se avança na direção correta. Também na África Subsaariana, onde o trabalho infantil caiu 10% entre 2020 e 2024. No entanto, devido ao crescimento demográfico, o número absoluto de crianças em situação de trabalho infantil nessa região se mantém em 87 milhões, o que representa quase dois terços do total mundial, de acordo com o diretor-geral da OIT. 

Ele destacou também que na região da Ásia e do Pacífico, o trabalho infantil diminuiu 43%. Isso demonstra, de acordo com ele, que é possível avançar. 

Ainda longe do fim

O líder da OIT disse, no entanto, que ainda estamos muito longe de colocar fim ao trabalho infantil. Temos que acelerar esse progresso e com urgência. 

Durante o evento, Houngbo citou o “Marco Global de Ação de Marrakech contra o Trabalho Infantil”, adotado na Conferência Mundial sobre a Erradicação do Trabalho Infantil, por oferecer um roteiro sólido. Esse marco reconhece os crescentes desafios: as crises econômicas, os desastres naturais, as mudanças climáticas levam mais famílias à pobreza. A tecnologia cria oportunidades, segundo ele, mas também está facilitando novas formas de exploração sexual e comercial de meninos e meninas. 

Ele também pediu atenção ao que acontece com as meninas que, com frequência, são obrigadas a realizar trabalho infantil e, ao mesmo tempo, se responsabilizar pelas tarefas domésticas. 

Em Marrakech, de acordo com Houngbo, os Estados-membros assumiram compromissos ambiciosos. 

© Unicef/Safidy Andrianantenain
Estima-se que atualmente 138 milhões de crianças estejam envolvidas em trabalho infantil em todo o mundo

Trabalho infantil é inaceitável

Em mensagem de vídeo, o líder da OIT afirmou que está situação é  inaceitável e que é preciso acelerar as ações”. 

“O tema deste ano – “Cartão Vermelho para o Trabalho Infantil: Jogo Limpo para as Crianças, Trabalho Decente para os Adultos” – lembra-nos que toda criança tem o direito de aprender, brincar e crescer protegida e em segurança. Juntos, devemos agir com urgência e determinação para pôr fim ao trabalho infantil”.  

O evento “Cartão Vermelho para o Trabalho Infantil: De Marrakech à ação” foi realizado nesta terça, durante a Conferência Internacional do Trabalho, em comemoração ao Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado dia 12 de junho. Aberto pelo diretor-geral da OIT, o evento de alto nível ofereceu uma oportunidade para os países apresentarem experiências e perspectivas sobre o acompanhamento do Marco de Ação Global de Marrakech contra o Trabalho Infantil.

Ações concretas

Todos os anos, o dia 12 de junho reúne governos, organizações de empregadores e trabalhadores, empresas, sociedade civil, comunidades e indivíduos para fortalecer as ações destinadas a eliminar o trabalho infantil.

A edição de 2026 do Dia Mundial ocorre em um momento decisivo, após a Conferência sobre Trabalho Infantil, que reafirmou a necessidade de acelerar os avanços e transformar compromissos em resultados concretos.

*Valéria Maniero é correspondente da ONU News em Genebra

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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