A epidemia de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, que está prestes a completar 100 dias, apresenta números alarmantes e uma velocidade de propagação sem precedentes.
O alerta foi feito em declaração emitida a partir de Bunia pelo coordenador sênior da ONU para o Ebola, Julien Harneis, acompanhado pelo porta-voz do Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, Jens Laerke.
A epidemia está se espalhando mais rápido
Estima-se que o vírus já tenha provocado a morte de 2,5 mil pessoas, sendo que metade desses óbitos foi registrada apenas nos últimos 20 dias. O surto já se espalha por uma área geográfica superior ao território da França, segundo a ONU.
Julien Harneis afirmou que a epidemia está se expandindo mais rápido e mais longe do que a capacidade de resposta existente.
Uma mulher caminha por um acampamento para pessoas deslocadas na província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo.
A emergência sanitária desdobra-se em uma região devastada por três décadas de conflito armado, falta de recursos e uma crise humanitária profunda.
Somente na província de Ituri, epicentro do surto da doença, os confrontos forçaram o deslocamento de mais de 1 milhão de pessoas, fragmentando a infraestrutura de saúde e enfraquecendo a ordem pública.
Estradas precárias e violência
As equipes de resgate e profissionais de saúde enfrentam condições operacionais extremas, incluindo ataques violentos, com ambulâncias apedrejadas e incendiadas.
Outra questão crítica é o acesso logístico complexo: o percurso de uma distância de apenas 60 km até um foco do ebola, por exemplo, pode levar mais de três horas por causa das estradas precárias.
Quanto aos desafios financeiros e estruturais, falta um sistema bancário funcional, inclusive para pagar os profissionais de saúde. Além disso, os recentes cortes de financiamento internacional reduziram a capacidade das organizações humanitárias no local em mais de 30%.
Pacotes operacionais
Mesmo diante dessa realidade adversa, o governo local, em conjunto com agências das Nações Unidas e ONGs, acelera a execução de cinco pacotes operacionais integrados para conter o avanço do vírus.
Crise de saúde exige socorro internacional urgente antes que o controle se torne impossível
Com o engajamento comunitário é feita a capacitação de líderes locais e profissionais de saúde para detecção precoce e prevenção de infecções.
A aposta no reforço da vigilância envolve intensificar o monitoramento epidemiológico, sobretudo ao longo das rotas do Rio Congo, além de dobrar as equipes de sepultamento seguro para 130.
A resposta inclui ainda ampliar a capacidade de leitos triplicando a oferta de vagas para atendimento seguro, atingindo 3 mil camas. Também são necessários fundos de emergência para envio e execução de recursos.
Emergência global
A resposta apoiada pelas Nações Unidas combina o conhecimento técnico da Organização Mundial da Saúde, OMS, a capacidade logística do Programa Mundial de Alimentos, WFP, e a cadeia de suprimentos global do Fundo da ONU para a Infância, Unicef.
Cerca de US$ 80 milhões já foram investidos para dar início a essas operações emergenciais. No entanto, o tempo é tido como o fator mais crítico, segundo os profissionais humanitários.
Cada dia de atraso na alocação de novos recursos financeiros torna a epidemia mais mortal, mais complexa de interromper e significativamente mais cara para a comunidade internacional.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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