A transição política na Síria registrou avanços importantes neste mês. Segundo o enviado especial adjunto da ONU para o país, Claudio Cordone, o momento é positivo na consolidação das instituições.
Falando da capital síria, Damasco, o representante relatou ao Conselho de Segurança que a Suprema Corte Constitucional foi nomeada no início de julho e conta com sete juízes, incluindo duas mulheres.
Aumento da representação feminina
Além disso, o presidente al-Sharaa nomeou mais 70 membros para a Assembleia Popular, que realizou sua sessão inaugural em 12 de julho.
Cordone destacou que com a inclusão de 15 mulheres entre os 70 membros nomeados pelo presidente, a representação feminina total no Parlamento aumentou para 22 integrantes, ultrapassando 10% do total.
Os 206 membros atuais da Assembleia Popular representam diversos perfis de toda a Síria, incluindo líderes empresariais, representantes de tribos, ex-integrantes da oposição e combatentes, bem como sobreviventes de detenções e ataques com armas químicas.
Visita do secretário-geral
O representante da ONU afirmou que a organização está preparada para apoiar este Parlamento provisório em suas duas tarefas centrais: a preparação de uma constituição permanente e de eleições inclusivas ao final da transição.
Cordone informou ainda que o secretário-geral da ONU, António Guterres, viajará à Síria no decorrer desta semana, a convite do governo. Por meio de reuniões com autoridades e organizações da sociedade civil, Guterres irá reafirmar o compromisso das Nações Unidas neste momento decisivo da história da Síria.
O enviado especial adjunto também relatou preocupações com riscos de aumento da violência, citando confrontos entre as Forças de Segurança Geral e a Guarda Nacional no final de junho.
Damasco, capital da Síria
Tráfico de drogas e armas
Segundo ele, o crime organizado e o tráfico de entorpecentes são fontes adicionais de instabilidade.
Cordone elogiou o governo sírio por reiterar constantemente sua intenção de evitar que o país se torne palco de um conflito regional mais amplo.
As autoridades anunciaram recentemente a interceptação de uma remessa de armas proveniente do Iraque que, segundo informações, seria transferida para o Líbano, evidenciando os riscos do tráfico ilícito de armas através das fronteiras sírias.
Ameaças internas e externas
No começo de julho, ocorreram atentados a bomba em Damasco, nas proximidades do Palácio da Justiça, em 2 de julho, e durante a visita do presidente francês Emmanuel Macron, em 7 de julho.
Para Cordone fica claro que grupos terroristas continuam tentando minar a transição do país, especialmente em um momento de crescente engajamento internacional com a Síria.
Ele também declarou estar profundamente preocupado com a “persistente atividade militar israelense no sul da Síria”, que inclui incursões, disparos de artilharia, sobrevoos de drones e restrições à movimentação de civis.
Crianças no campo de Al Hol para deslocados na Síria.
Dois terços da população precisam de ajuda humanitária
A diretora da Divisão de Respostas a Crises do Escritório da ONU para Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, também falou no evento do Conselho de Segurança e abordou as consequências do deslocamento e do colapso econômico.
Edem Wosornu ressaltou que quase dois terços da população ainda necessitam de assistência humanitária.
Segundo ela, em todo o país, milhões de pessoas lutam para encontrar alimentos suficientes, ter acesso a água potável e serviços de saúde, enviar os filhos à escola ou obter uma renda estável.
Desde dezembro de 2024, cerca de 1,7 milhão de refugiados e 1,9 milhão de pessoas deslocadas internamente retornaram às suas comunidades.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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