O volume de dinheiro enviado por imigrantes para as suas terras natais tem registrado um crescimento consistente nos últimos dez anos, segundo o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola, Fida. 

Em um cenário global marcado pela alta no custo de vida e por barreiras migratórias, a motivação por trás do aumento no fluxo de remessas é direta: famílias inteiras dependem desses recursos para sobreviver. 

Atender às necessidades básicas e imediatas 

Para o especialista do Fida, Pedro Vasconcelos, os valores enviados funcionam como uma verdadeira “boia de salvação” para os familiares. O dinheiro atende, primeiro, às necessidades básicas e imediatas, como alimentação, saúde, educação e habitação. 

Essa dinâmica se repete na África, na América Latina, na Ásia e em partes da Europa. 

“O estudo mostra que são 23 países a receberem remessas equivalentes a mais de 10% do produto interno bruto. Em nove países as remessas superam as exportações de bens e serviços. E o estudo também demonstra que a Ásia Pacífico, ou a região Ásia Pacífica, que recebeu 385 mil milhões de dólares, que é mais ou menos a metade do fluxo total, é uma das regiões que recebe mais dinheiro dos imigrantes vivendo fora dos seus países. Cabe também mencionar a América Latina e as Caraíbas, com o crescimento mais rápido nestes últimos anos, com 132% a mais, e a África 86%.” 

© Unsplash/Omid Armin
O financiamento climático pode apoiar os países vulneráveis.

Apenas nos sistemas agroalimentares rurais, as famílias beneficiárias investem cerca de US$ 22 milhões por ano. Para Vasconcelos, esse valor representa ao mesmo tempo um desafio de desenvolvimento e uma oportunidade de mercado significativa. 

Desafio e oportunidade nos sistemas agroalimentares 

O desafio é garantir que o uso do dinheiro vá além da subsistência de curto prazo, sem retirar a autonomia das famílias. 

Já a oportunidade é conectar esse fluxo financeiro regular a instrumentos bancários de transformação, como poupança, crédito adequado, seguros e investimento produtivo. 

Sobre a atuação do Fida, Pedro Vasconcelos realçou: “Não estamos dizendo às famílias o que devem fazer com o seu dinheiro; o que procuramos é garantir que disponham de opções mais úteis.” 

Conexão com a resiliência climática 

Uma das principais frentes de atuação do Fida é integrar as remessas à adaptação climática das comunidades rurais. Para a agência, as lições aprendidas em campo mostram que as remessas já ajudam as famílias a absorver choques financeiros imediatos decorrentes de secas ou tempestades. 

Quando ligadas aos instrumentos financeiros certos, as remessas oferecem aos agricultores os meios para proteger ativos produtivos, salvaguardando terras, gado e equipamentos agrícolas antes ou imediatamente após eventos climáticos extremos. 

Já para financiar a adaptação, a aposta é investir em infraestrutura e técnicas agrícolas sustentáveis e resistentes às mudanças do clima. 

Vasconcelos afirmou que essa abordagem deixou de ser uma teoria para se tornar uma prática operacionalizada pelo Fida, transformando o sacrifício da separação familiar em um motor de desenvolvimento rural e de segurança alimentar global. 

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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