No início deste mês, as Nações Unidas em Nova Iorque abrigaram um Encontro de Alto Nível dos Chefes de Polícia dos Estados-membros da organização.
A Quinta Cimeira da Polícia ou UNCops 2026 reuniu também representantes regionais e ministros de Estado da área para fortalecer a cooperação em paz, segurança e desenvolvimento além de discutir o papel do policiamento da ONU em missões de paz espalhadas pelo mundo.
Sucesso e informação
Um desses representantes foi o ministro do Interior de Moçambique, Paulo Chachine. Nesta entrevista à ONU News, ele afirmou que no mundo moderno e de complexos desafios, a cooperação é mais crucial do que nunca para o sucesso das forças policiais.
“A informação e a inteligência devem ser partilhadas por todos os países. Para o benefício dos países, para o benefício do combate à criminalidade. Então, a sabedoria e o conhecimento devem ser partilhados por todos. E isto passa também por aspectos de formação. E esta informação também tem de ser equitativa, tem de ser partilhada.”
A reunião na sede da ONU ofereceu um panorama dos desafios de segurança em vários continentes e como lideranças da área devem participar de uma rede que possa atuar, com o apoio da ONU, mutuamente.
Segundo o ministro Chachine é preciso ter mais integração e cooperação direta, sem esquecer da atualização da tecnologia sem a qual os serviços de inteligência e de polícia não podem funcionar.
Criminalidade mudou
“As polícias precisam de ser equipadas. As polícias precisam de ter informação a todo momento para efetivamente cumprirem com sua missão. Mas o fundamental nisto, é a necessidade de uma ação coordenada dos países, uma ação conjunta no combate à criminalidade.”
Segundo o ministro Chachine, o acesso aos recursos não é igual para todos e alguns países têm mais recursos que outros. Para o chefe da pasta do Interior, nenhum país sozinho pode fazer este trabalho sendo necessário uma troca de informações.
Chachine lembra que a criminalidade atual não é mais a de alguns anos atrás. Com aumento de crimes cibernéticos e outros eventos recentes, é preciso se adaptar e preparar as forças policiais para essas novas realidades e o mais importante é dar seguimento ao que é tratado em cimeiras internacionais.
Ação e discursos
“Não basta nós dizermos: ‘sim, vamos trabalhar juntos, vamos fazer isso’. O mais importante é pormos na prática aquilo que falamos, é pormos na prática aquilo que discutimos. É pormos na prática aquilo que prometemos fazer.”
O ministro citou como exemplo de operações conjuntas e de inteligência na África, o trabalho da Sadc, a Comunidade para Desenvolvimento dos Países do Sul da África. A organização realiza encontros da região com troca de informações entre as polícias, uma vez que muitos crimes e casos criminosos que afetam o sul da África “vêm de longe”.
Um bom exemplo de cooperação ocorre na língua comum, o português, como indicou o ministro do Interior de Moçambique, Paulo Chachine. Para ele, ter documentos no mesmo idioma ajuda, mas não resolve todo o quadro de desafios.
Maputo, Moçambique
Ao ser perguntando do que seu país precisa, o ministro Paulo Chachine foi direto:
Quadros formados e crimes comuns
“Neste momento, o que Moçambique precisa é formação. É técnica. É equipamento. É isto que Moçambique precisa. Nós precisamos é de formação (treinamento). Precisamos de ter polícias formados. Precisamos de ter os quadros formados ao nível dos outros países. É o que nós precisamos mais neste momento. E esta formação vai permitir entender melhor os fenômenos que acontecem não apenas em Moçambique, não apenas na África, mas no mundo.”
Segundo o Instituto Nacional de Estatística de Moçambique a criminalidade baixou de 2020 a 2024 passando de 16.624 casos notificados para 11.798. Ainda segundo o governo, neste período mais de 86% dos casos de crimes foram esclarecidos pela polícia.
Na categoria de crimes, delitos contra o patrimônio e patrimônio em geral são a maioria dos casos seguidos por crimes contra a pessoa. A Cidade de Maputo continua sendo o maior palco desses crimes seguida pelas províncias de Maputo e Gaza.
Português, Timor-Leste e operações de paz
Ainda sobre a formação e cooperação, o ministro do Interior Paulo Chachine contou que os policiais moçambicanos aprendem inglês e outras línguas para facilitar o intercâmbio com seus pares em outros países.
O líder da pasta do Interior também disse que Moçambique, que já teve uma Missão de Paz da ONU, tem planos de cooperar no futuro com a área de manutenção da paz das Nações Unidas como o fez em Timor-Leste. Mas para ele, tudo dependerá da capacidade de formação de seus policiais em casa.
*Monica Grayley é editora-chefe da ONU News Português.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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