O índice de referência dos preços dos produtos alimentares básicos aumentou em agosto, à medida que as altas temperaturas e os riscos meteorológicos elevaram as apreensões sobre as perspetivas de abastecimento.

A informação consta dos dados publicados no mais recente Índice de Preços dos Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, FAO, divulgados esta sexta-feira.

Choques climáticos e tensões globais geram incerteza

O índice, que acompanha as variações mensais dos preços internacionais de um cabaz de produtos alimentares comercializados a nível global, registou um aumento de 1,9% face ao nível revisto de julho e de 2,5% em comparação com o mesmo mês do ano anterior.

Maximo Torero, economista-chefe da FAO, associa esta subida dos preços aos impactos dos choques climáticos, das tensões geopolíticas e das perturbações logísticas, que restringem as expectativas de oferta alimentar.

Neste contexto, o especialista considera que a resiliência, o comércio aberto e os fluxos seguros de fatores de produção são fundamentais para garantir a estabilidade dos preços mundiais dos alimentos.

OMI/Andrea Empamano
Um prato completo de gado-gado reúne legumes escaldados, tofu e tempeh fritos, ovos cozidos e kerupuk, tudo coberto com molho de amendoim.

Aumento generalizado dos preços alimentares internacionais

O Índice de Preços dos Cereais da FAO registou um aumento de 2,2% face a julho, refletindo a subida dos preços internacionais dos principais cereais, impulsionada pela incerteza sobre as colheitas e os fluxos comerciais.

Por sua vez, a redução da oferta de leite na União Europeia, associada às condições meteorológicas quentes e secas, contribuiu para um aumento de 2,3% no Índice de Preços dos Produtos Lácteos.

Também influenciado por condições meteorológicas adversas, pelas perspetivas de impacto do El Niño na produção e pela menor produção de açúcar no Brasil, o Índice de Preços do Açúcar da FAO registou um aumento de 11,9% no mês de agosto.

Apesar do aumento generalizado dos preços da carne de aves, de suíno e de ovino, os preços internacionais da carne de bovino diminuíram, fruto da maior concorrência entre os exportadores do Brasil e da Austrália.

Produção mundial de milho, trigo e arroz deverá diminuir

Também divulgado esta sexta-feira, o Boletim sobre a Oferta e a Procura de Cereais da FAO prevê uma produção mundial de cereais em 2026 de 2 980 milhões de toneladas.

Apesar de este valor representar uma redução de 2% face ao alcançado em 2025, trata-se da segunda maior colheita de cereais desde que há registo.

A agência da ONU prevê ainda uma diminuição do comércio mundial de cereais em 2026/27, face aos níveis recorde, a par da diminuição da produção mundial de milho, trigo e arroz.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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