Moçambique está avançando na realização dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, ODS, mas sinalizou que choques externos, eventos climáticos e conflitos prejudicam a execução das metas internacionais.
Durante a participação no Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável, na sede da ONU em Nova Iorque, a delegação do país, liderada pela Ministra das Finanças, apresentou sua Revisão Nacional Voluntária dos ODS.
Panorama da situação no país
Carla Alexandra Louveira conversou com a ONU News e explicou que a avaliação é “bastante realista”, pois incorpora a perspectiva de distritos e municípios de seis províncias do país, para além da análise do governo central. Ela destacou os avanços observados e alguns dos desafios que ainda precisam ser superados.
“São os ganhos, portanto, da massificação da cobertura da telefonia móvel, os ganhos da incorporação da energia renovável e a sua utilização a nível do país. Os ganhos com a cobertura dos níveis de acesso à água e ao saneamento também são ganhos significativos nesta perspetiva. Existem outros indicadores que ainda estão, portanto, em processos medianos em termos de níveis de execução pelo país. Portanto, são na perspetiva do acesso à saúde, à educação, entre outros indicadores, portanto, associados à proteção social. E depois temos também aqueles que carecem de um olhar mais atento por parte do Governo. Estão associados à inclusão, sobretudo na inclusão de gênero e a voz feminina no âmbito do processo de decisão”.
Os ODS são um conjunto de 17 metas internacionais aprovadas por todos os 193 Estados-membros da ONU em 2015, que visam o bem-estar das pessoas e das sociedades e devem ser cumpridas até 2030.
A ministra ressaltou que Moçambique enfrenta um desafio associado ao crescimento populacional e à movimentação das zonas rurais para as cidades, principalmente de jovens, causando pressão nos orçamentos de educação e saúde.
Ela também mencionou disparidades entre províncias, afirmando que em alguns distritos a implementação dos ODS já está em 80% a 90%, enquanto em outros está abaixo dos 50%.
Mudanças climáticas, conflitos e choques econômicos
A representante de Moçambique enfatizou que a análise da execução da agenda 2030 não pode ser realizada de forma isolada e deve considerar todos os fatores que impactam a atuação do governo.
“Temos efetivamente que referir que o impacto das mudanças climáticas, mas também a questão do conflito no norte de Cabo Delgado e ainda, portanto, o choque do conflito no Médio Oriente, são os choques que têm estado a afetar o nível ou a capacidade do grau de execução do desempenho que o Governo poderá ter ou tem na execução ou no alcance das metas, dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável”.
Carla Alexandra Louveira explicou que no caso do conflito do Médio Oriente, o governo criou uma Força Tarefa Multisetorial para analisar os impactos econômicos de curto, médio e longo prazo associados à crise.
As análises permanentes também abordam indicadores macroeconómicos, com destaque para inflação, taxa de câmbio e disponibilidade de combustível.
Nesse sentido, o governo busca se antecipar e se contrapor a riscos futuros para prevenir impactos no custo de vida da população moçambicana.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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