Em todo o mundo, jornalistas continuam pagando um preço exorbitante por dizerem a verdade. Este foi o alerta do secretário-geral da ONU neste Dia Internacional para Acabar com a Impunidade dos Crimes contra Jornalistas, celebrado em 2 de novembro.

Em mensagem para marcar a data, António Guterres enfatizou que os profissionais da mídia desempenham um papel essencial em manter o público informado e responsabilizar aqueles que detêm o poder. 

Alta taxa de impunidade

Mas eles são frequentemente assediados, vigiados, processados, agredidos fisicamente ou presos, e às vezes até torturados ou mortos, simplesmente por fazerem seu trabalho.

Ao longo do último ano, pelo menos 34 jornalistas morreram. Em média, 6 em cada 7 desses assassinatos ficam impunes. Em contextos de conflito, a taxa de impunidade se aproxima de 100%. 

Para Guterres, isso é uma “afronta hedionda às vítimas e seus entes queridos, bem como a todos que dependem dos jornalistas para se manterem informados e engajados”.

O secretário-geral ressaltou que quando o trabalho jornalístico é silenciado, “todos nós nos tornamos vítimas”.

ONU/ Laura Jarriel
Jornalistas registram a chegada dos chefes de Estado no primeiro dia do Debate Geral na ONU, em Nova York.

Profissão fundamental para os direitos humanos e a democracia

O líder da ONU declarou que nada deve impedir a capacidade dos profissionais da imprensa de atuar, pois esta profissão é “fundamental para os direitos humanos, a democracia e o Estado de direito”.

Ele defendeu que todos os casos de ataques contra a mídia sejam investigados, com os responsáveis devidamente punidos e pôs ênfase na necessidade de acabar com as agressões online.

Ele lembrou que desde o lançamento do Plano de Ação das Nações Unidas sobre a Segurança dos Jornalistas, em 2012, a taxa de impunidade para esses crimes em países sem conflitos armados caiu de 94% para 77%. 

Mas o secretário-geral reconheceu que é preciso fazer mais.

Alta no número de mulheres assassinadas

Dados da ONU indicam que, entre 2023 e 2024, um total de 162 jornalistas foram mortos no exercício da profissão. Quase metade das mortes ocorreu em países que vivenciam conflitos armados, em comparação com 38% nos dois anos anteriores.

A impunidade é gritante, com 85% dos casos de assassinatos dos profissionais desde 2006 ainda sem solução ou abandonados.

O número de jornalistas mulheres assassinadas em 2022 atingiu o nível mais alto desde 2017, com 10 casos.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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