As conclusões do novo relatório da Comissão Independente de Investigação sobre o Sudão do Sul revelam um cenário preocupante para o próximo ciclo eleitoral no país.
O documento, publicado em Genebra, nesta quinta-feira, aponta um aumento significativo dos episódios de violência política, intimidação e polarização no ambiente pré-eleitoral.
Escalada de tensão e violência
A análise que recomenda uma reestruturação imediata na segurança e no planeamento logístico dos órgãos eleitorais documenta um padrão ascendente de incidentes violentos nos últimos meses.
Sudão do Sul avança rumo às urnas em 22 de dezembro
Os atos incluem agressões verbais, vandalismo direcionado a sedes partidárias e ameaças diretas contra candidatos e agentes do processo eleitoral.
Segundo os investigadores, o ecossistema de desinformação nas redes sociais tem atuado como o principal catalisador do radicalismo, transformando disputas ideológicas em confrontos físicos e num clima generalizado de insegurança.
Preparativos eleitorais sob pressão
Diante destas ameaças, a Comissão de Investigação sublinhou que os preparativos correm o risco de ser comprometidos caso não haja reforço da proteção institucional.
Após dois adiamentos desde a conquista da independência em 2011, o Sudão do Sul avança rumo às urnas em 22 de dezembro. Apoiadas pelas Nações Unidas, as primeiras eleições da história sul-sudanesa marcam um momento crucial na trajetória política e no futuro do mais novo país africano.
A Comissão diz que a integridade do ato eleitoral exige não apenas garantir que as urnas e os sistemas de contagem permaneçam invioláveis, mas também assegurar que eleitores possam exercer o seu direito de voto sem medo de coerção ou retaliação.
Principais recomendações
Para conter a crise e restaurar a estabilidade, o relatório apresenta um conjunto de medidas prioritárias.
O destaque é a criação de protocolos únicos de segurança e a implementação de um grupo de intervenção e coordenação entre as forças policiais e a administração eleitoral, visando mitigar riscos nos locais de votação.
Analistas e membros da Comissão coincidem quanto à urgência de uma resposta firme por parte das autoridades sul-sudanesas
Para melhorar a monitorização e regulação digital, a sugestão passa pelo combate rigoroso ao discurso de ódio e às campanhas coordenadas de desinformação durante a campanha eleitoral.
Já para garantir a transparência, recomenda-se a realização de auditorias independentes em todas as fases do apuramento de votos, de modo a reforçar a confiança pública no resultado.
Linhas diretas de denúncia
O grupo de investigadores destaca ainda a proteção reforçada aos candidatos, mediante vigilância dedicada e linhas diretas de denúncia contra a intimidação política.
Relativamente às perspetivas do cenário político, analistas e membros da Comissão coincidem quanto à urgência de uma resposta firme por parte das autoridades nas próximas semanas.
Para os investigadores, caso estas recomendações sejam aplicadas com determinação, será possível assegurar uma transição pacífica e reforçar as fundações democráticas.
Por outro lado, a eliminação ou a falta de ação poderá aprofundar a instabilidade e colocar em causa a legitimidade do pleito.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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