O Conselho de Segurança das Nações Unidas debate nesta segunda-feira a crescente instabilidade no Estreito de Ormuz, um ponto vital para o comércio mundial. O tema é Segurança e Proteção das Hidrovias no Domínio Marítimo.
O secretário-geral, António Guterres, lançou um apelo urgente pela desobstrução imediata da via, enfatizando que a livre circulação de navios é essencial para a saúde da economia global e para evitar desastres ambientais de grande escala.
Diálogo diplomático e respeito estrito ao direito internacional
Guterres lançou um apelo às partes envolvidas para que abram o Estreito, deixem os navios passar sem pedágios nem discriminação. Ele defendeu que se deixe o comércio ser retomado e a economia global respirar num momento que exige moderação, diálogo e medidas de fomento à confiança.
Para o líder da ONU, este período carece de conversas e do respeito estrito ao direito internacional, além de investimentos na governança dos oceanos e na subsistência de comunidades costeiras.
A situação grave é reforçada por especialistas que indicam que o comércio marítimo representa 80% do volume global de itens. Bloqueios em rotas críticas como esta geram ondas de choque econômicas que afetam bilhões de pessoas.
Novo protocolo de evacuação estratégica
O ministro das Relações Exteriores do Bahrein, Abdullatif bin Rashid Al Zayani, presidiu a reunião em que discursaram 80 países no âmbito da presidência rotativa do órgão.
O secretário-geral da Organização Marítima Internacional, OMI, Arsénio Dominguez, anunciou que um novo protocolo de evacuação estratégica foi feito para garantir a retirada segura de navios e marítimos em áreas de guerra.
O plano prevê o uso de Esquemas de Separação de Tráfego já existentes para criar corredores de saída protegidos. Segundo Dominguez, o desenvolvimento técnico e operacional conta com a participação direta de países da região, incluindo o Irã. Participam ainda nações mediadoras nas negociações internacionais.
A agência destacou que está preparada para implementar a medida imediatamente, ressaltando, porém, que a execução depende estritamente de garantias mínimas de segurança no terreno.
Para a ocasião foi convidado o especialista Nick Childs, pesquisador sênior em Forças Navais e Segurança Marítima no Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. Ele ressaltou que quando as rotas marítimas param, o mundo sente.
A importante rota marítima do Estreito de Ormuz é retratada separando as nações dos Emirados Árabes Unidos e Irã
Frota mercante mundial
Ele afirmou que 80% de todo o comércio global, em volume, é transportado por via marítima. O fato de a frota mercante mundial ter dobrado de tamanho nas últimas duas décadas é um indicador de como a dependência do comércio global cresceu exponencialmente.
Para o pesquisador, os acontecimentos das últimas semanas no Estreito de Ormuz e arredores ressaltaram como as interrupções nas principais vias navegáveis do mundo podem gerar repercussões econômicas globais. Os afetados seriam bilhões de cidadãos sem deixar nenhuma região ou Estado-membro imune.
O acadêmico destacou ainda que o mundo vive em uma era que ficou “repentinamente mais perigosa e instável, na qual não é apenas uma questão de tensões e conflitos em terra se estenderem para o domínio marítimo.”
Cerca de 20 mil profissionais retidos
Atualmente, o conflito geopolítico transformou navios e marinheiros em moedas de troca, deixando cerca de 20 mil profissionais retidos em 2 mil embarcações no Golfo Pérsico sob intensa pressão psicológica e riscos físicos.
A OMI, defende que esta paralisia compromete não apenas o fluxo financeiro, mas a segurança alimentar de diversas nações.
Enquanto a tensão marítima persiste, agências humanitárias como o Programa Mundial de Alimentos, WFP, e a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, enfrentando desafios significativos em terra. No Irã, o apoio alimentar foi intensificado para atender ao fluxo crescente de refugiados.
Líbano enfrenta insegurança
Ao mesmo tempo, no Líbano, a insegurança impede o retorno seguro de famílias deslocadas, sobrecarregando abrigos em Beirute e agravando tensões sociais.
Já na Faixa de Gaza, a crise atinge níveis de desespero, com famílias sobrevivendo com apenas uma refeição diária em meio a um cenário de colapso sanitário e riscos de surtos de doenças.
A comunidade internacional tem condenado as apreensões e os bloqueios em Ormuz, reiterando que a preservação da liberdade de navegação é inseparável da estabilidade e do bem-estar globais.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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