A Agência da ONU para os Refugiados, Acnur, alertou para a rápida piora da crise humanitária global que afeta a vida de milhões de refugiados, retornados e deslocados em frentes de conflito no Afeganistão, Iêmen, Síria e Líbano.
Nessas regiões, do Oriente Médio à Ásia Central, o colapso econômico, a insegurança violenta e o esgotamento crítico de recursos deixam populações inteiras sem um único refúgio seguro para onde ir.
Condições dramáticas de sobrevivência
No Iêmen, mais de 65 mil refugiados e requerentes de asilo enfrentam condições dramáticas de sobrevivência. Mesmo piorando os confrontos armados no país, milhares de pessoas continuam a arriscar a vida em perigosas travessias marítimas a partir do Chifre da África.
Crianças usam uma fogueira para se aquecer no inverno no campo de refugiados de Za’atari, na Síria.
Elas desembarcam em território onde o cotidiano é marcado pela instabilidade e pela miséria. A situação é especialmente crítica no campo de refugiados de Kharaz, localizado na província de Lahj, que abriga cerca de 9,5 mil somalis e etíopes.
Embora vidas de refugiados não tenham sido tiradas diretamente dentro do campo, bombardeios nas proximidades interromperam serviços básicos e impuseram rígidas restrições de mobilidade, espalhando o pânico entre famílias que já haviam fugido da guerra em seus países de origem.
Falta de vestuário adequado para o frio
Na Ásia Central, o Afeganistão prepara-se para enfrentar mais um inverno rigoroso sob imensa pressão humanitária e graves restrições orçamentárias. Quase 4 milhões de afegãos retornaram do Paquistão e do Irã em um intervalo de 18 meses, muitos deles sem qualquer recurso para reconstruir suas vidas.
Dados da ONU apontam que 4,2 milhões de pessoas necessitarão de suporte emergencial de moradia em 2026, enquanto quase um terço das famílias avaliadas relata escassez de vestuário adequado para o frio.
Resposta internacional rápida e desimpedida pode salvar milhões de famílias no Iêmen, Afeganistão, Síria e Líbano
A falta de financiamento reduziu drasticamente a entrega de kits de reparo habitacional, cobertores, aquecedores e auxílio financeiro direto.
Sem alternativas econômicas para comprar carvão ou lenha, muitas famílias são forçadas a queimar papelão, papel e resíduos plásticos para se aquecer, expondo crianças a surtos graves de pneumonia e doenças respiratórias.
Síria e Líbano sofrem com falta de verbas
Na Síria, o cenário pós-queda do regime de Assad trouxe uma onda de esperança com o regresso de milhões de pessoas que viviam como refugiadas na região. Mas sem fundos para garantir o básico, como teto, roupas quentes e combustível para calefação, o destino dos retornados torna-se cada vez mais incerto.
Estimativas apontam que 2,4 milhões de pessoas precisarão de assistência de inverno nas áreas prioritárias sírias. No entanto, devido ao déficit global de verbas, o Acnur projeta atender cerca de 230 mil pessoas no país, o que representa menos da metade do contingente alcançado no inverno anterior.
No Líbano, quase 300 mil pessoas precisam de ajuda urgente para a estação fria, mas a grave falta de verbas permite atender apenas metade delas. Com os preços do diesel quase dobrando desde março, a alta de custos de aquecimento força famílias vulneráveis a espremer um auxílio projetado para meses em poucas semanas.
A agência da ONU reitera que, sem uma resposta internacional rápida e desimpedida, milhões de famílias no Iêmen, Afeganistão, Síria e Líbano continuarão presas em ciclo de privação, deslocamento contínuo e frio extremo.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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