Aos 17 anos, Limiha Impelua mergulha em novas experiências e investiga a fundo as novidades sobre os seus heróis das telas. 

Ele é fã de games, estuda na 7ª classe de uma escola em Maputo, Moçambique, e diz superar os desafios de viver com autismo.  Limiha conta que pratica desportos e cuida das tarefas da casa que divide com a mãe.

Educação e Inclusão

Mas nem sempre foi assim. Há nove anos, a família foi chamada pela terceira escola que ele frequentou para ser informada de que o menino seria “incapacitado” para estar em qualquer instituição pública de ensino. O motivo? Um diagnóstico.

Neste 2 de abril, Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, Limiha conversou com a ONU News, de Maputo, que foram o esforço e o apoio da Associação Nacional para Educação, Reabilitação, Capacitação e Inclusão, Cerci, que ajudaram a mudar a sua história. Ali, ele foi acolhido e começou a entender como poderia sonhar com a mesma liberdade que os outros adolescentes.

“Com autismo as pessoas poderiam ser pessoas anormais. Mas somos inteligentes, especiais e capazes de fazer qualquer coisa especial, tal como mais pessoas, assim como os outros”.

Iniciativas público-privadas

Funcionando como um polo de apoio, o espaço de reabilitação trabalha em conjunto com algumas iniciativas públicas e privadas. O objetivo é garantir um suporte sólido à comunidade e impulsionar as práticas de ensino especial.

Assembleia Geral instituiu a data para quebrar o silêncio e fomentar o debate público

 

“Eu gosto de ouvir uma música, eu gosto dos desenhos animados, de videojogos, de desenhar, brincar, escrever, estudar, aprender e brincar. Ter aulas de judô, educação física e dançar muito quando eu estou a escutar as músicas.”

África, Brasil e Estados Unidos

É nos heróis da ficção que o adolescente encontra a força motriz para o seu maior propósito: tornar-se um líder do futuro. 

Limiha sonha em usar essa liderança para salvar e proteger meninas e mulheres globalmente, dedicando um olhar especial à África, ao Brasil e aos Estados Unidos.

“Eu costumo a imaginar viajar para os Estados Unidos, investir em empresas para puder ligar as minhas séries (de cinema) com o que eles estão a fazer. Queria investir nas estrelas e conhecer as da Disney, Nickelodeon e muitos outros. A Paramount, Universal, Warner Bros, Discovery, Walter Disney Company e etc.”

Espaço de reabilitação trabalha em conjunto com algumas iniciativas públicas e privadas

Observando a linha que divide os super-heróis da ficção e a vida real de Limiha, está a sua mãe, Cristabela Impalua. 

A viúva e profissional de saúde vê no filho um jovem com hiperatividade, mas dotado de uma disciplina exemplar para as tarefas de casa e higiene, além de ser um fervoroso defensor do cumprimento de valores e regras ao seu redor. 

O caminho até ao diagnóstico, contudo, foi longo. Entre os 18 meses e os oito anos, incontáveis noites de choro inexplicável foram minimizadas por médicos que asseguravam estar tudo bem. 

Atraso na fala

A confirmação do autismo só chegou aos oito anos, depois de um atraso na fala o encaminhar para sessões de terapia. O processo acabou por lhe abrir as portas para a escrita. 

Antes de compreenderem a sua condição, Limiha tinha extrema dificuldade em se articular e, por vezes, desaparecia de casa. Hoje, Cristabela entende que a realidade do filho reflete a de inúmeras crianças que carecem de acompanhamento está inconformada com o facto de muitos pais ainda esconderem os seus filhos.

“Não se escondam”

“Fui uma pessoa que optou e foi sempre pedir ajuda. Eles preferem colocar uma barreira. Aconselho: Tudo é possível. Esconder e não deixar a criança sair de casa. Não sabia que um dia seria levado por criança para ir à missa por causa do que vivi. Vivíamos de escala. Sempre que pedisse para subir avião todos queria ver se ele estava bem. Com ele agitado, pagavam hotel até que ficasse bem e ficava sem viajar. Era uma guerra. Mas é preciso tirar os nossos filhos de casa. Não esconder. Se preciso for vão nos agredir, mas tirem os filhos de casa. Não escondem. Porque se eu escondesse o meu filho não seria como está agora. Tudo é possível.  Acompanhem-nas que há pessoas que estão dispostas para ajudar.”

O Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo reconhece a dignidade e o valor de todas as pessoas no espectro. E se as causas exatas do autismo ainda movem pesquisas e teorias, a ONU enfatiza passos expressivos que a sociedade já deu.

© Unicef/Thomas Cristofolett

Espaço de reabilitação trabalha em conjunto com algumas iniciativas públicas e privadas

Pela passagem da data, a mensagem do secretário-geral, António Guterres, apela por uma inclusão real realçando o direito das pessoas autistas de ser protagonistas das suas próprias vidas e peças-chave na construção do futuro de todos no mundo.

Qualidade de vida em primeiro lugar 

Mais do que partilhar informação, as Nações Unidas defendem que a conscientização deve transformar-se em ferramentas práticas que elevem o bem-estar de quem vive com a condição.

O Transtorno do Espectro Autista descreve um conjunto de condições que moldam a forma como o indivíduo se comunica, interage e vivencia os seus interesses.

Há 19 anos, a Assembleia Geral instituiu a data para quebrar o silêncio e fomentar o debate público. Em 2026, esse compromisso renova-se globalmente sob um tema enfatizando a essência da luta “Autismo e Humanidade – Toda Vida Tem Valor”.

*Eleutério Guevane é redator-sênior da ONU News.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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