Um novo relatório conclui que o consumo de drogas no Afeganistão continua a ser dominado por substâncias tradicionais, embora esteja a aumentar o uso de drogas sintéticas e o consumo indevido de medicamentos farmacêuticos.
O estudo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Unodc, publicado este domingo, integra o terceiro e último volume do Inquérito Nacional sobre o Uso de Drogas no Afeganistão. A análise é financiada pelo Programa da ONU para o Desenvolvimento, Pnud.
Padrões de consumo identificados pelo inquérito
De acordo com os resultados, os homens identificaram com maior frequência a cannabis, 46%, e o ópio, 19%, como as drogas mais utilizadas nas suas comunidades.
Foram igualmente mencionados o chamado “Tablet K”, 11%, e a metanfetamina, 7%. O relatório assinala que esta é a primeira medição nacional sobre o uso de drogas desde 2015.
Impacto econômico e fatores associados ao consumo
O relatório destaca o peso do consumo de drogas nas economias dos agregados familiares. Substâncias como a metanfetamina e o ópio podem custar mais do que um dia inteiro de salário.
Um único dia de consumo de metanfetamina pode representar até 138% do rendimento diário de um trabalhador ocasional ou 67% do salário de um trabalhador qualificado.
Os inquiridos associaram o consumo continuado sobretudo à pobreza, ao desemprego e às dificuldades financeiras, bem como a dor física, problemas de saúde, sofrimento psicológico, desafios familiares e dependência.
Riscos para a saúde e consumo de alto risco
Resultados anteriores do Inquérito sobre Uso de Drogas de Alto Risco da Unodc evidenciam riscos significativos para a saúde.
Cerca de 8% dos inquiridos relataram ter injetado drogas em algum momento da vida. Entre estes, mais de 75% referiram partilha de seringas e cerca de metade indicou acesso inconsistente a equipamento esterilizado, revelando lacunas na cobertura de redução de danos.
O estudo identificou ainda uma disparidade de gêneros, com apenas 29% das mulheres a reportarem acesso a tratamento, em comparação com 53% dos homens.
Capacidade limitada dos serviços de tratamento
O primeiro volume da série, dedicado ao mapeamento das instalações para o tratamento de perturbações por uso de substâncias, conclui que persistem lacunas significativas na distribuição, acessibilidade, qualidade e cobertura de gênero dos serviços.
Quase dois terços das instalações servem exclusivamente homens, 17,1% atendem apenas mulheres e, nas 32 províncias analisadas, pouco mais de um terço dispõe de serviços disponíveis para mulheres.
O relatório aponta ainda escassez de profissionais de saúde qualificados e infraestruturas insuficientes.
Declarações de responsáveis das Nações Unidas
O representante regional da Unodc afirmou que os resultados demonstram uma ligação estreita entre o consumo de drogas, a pobreza, o desemprego e necessidades de saúde não tratadas.
Ele defendeu respostas integradas que combinem tratamento, redução de danos, cuidados de saúde primários, apoio em saúde mental e proteção social.
Já para o representante residente do Pnud no Afeganistão, o inquérito fornece uma visão clara da realidade do consumo de drogas no país e contribuirá para o desenvolvimento de políticas e programas mais eficazes.
A responsável interina da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão, Unama, destacou que os estudos são essenciais para orientar a resposta das autoridades de facto, dos doadores e das Nações Unidas.
A representante defende uma abordagem centrada nas pessoas, baseada no combate ao estigma e à discriminação, e reafirmando a prevenção como a estratégia mais essencial e custo-eficaz.
Recomendações da Unodc
Com base nos três volumes do inquérito e em normas internacionais, o Unodc recomenda a expansão de serviços voluntários de tratamento e redução de danos, baseados em direitos, para homens e mulheres.
O relatório defende investimentos na formação de profissionais de saúde, no estabelecimento de padrões mínimos para instalações, e na ligação destas respostas aos cuidados de saúde primários.
As áreas cobertas incluem saúde mental, apoio psicossocial, proteção social e assistência ao emprego, com intervenções adaptadas às realidades provinciais e às necessidades das famílias.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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