Mais de um milhão de pessoas encontram-se deslocadas internamente no Líbano, a maioria abrigada em campos informais e privada de cuidados de saúde essenciais ou de proteção contra a violência baseada no género.

O alerta foi dado pelo Fundo de População das Nações Unidas, Unfpa.

Mulheres em risco

Desde março, a agência da ONU já prestou apoio a mais de 80 mil pessoas deslocadas no território, através de serviços de saúde sexual e reprodutiva e de resposta à violência baseada no género. 

Neste grupo, há 326 mil mulheres em idade fértil, entre as quais aproximadamente 13,5 mil grávidas, prevendo-se que cerca de 1,5 mil entrem em trabalho de parto em um mês. 

O Unfpa sublinha a necessidade de garantir o fornecimento de bens e serviços de saúde sexual e reprodutiva, para salvar centenas de mulheres.

ONU Mulheres
Mulheres deslocadas pelo conflito preparam comida em Tiro, no Líbano.

Abrigos sobrelotados

De acordo com a agência da ONU, são poucos os abrigos dotados de camas, instalações sanitárias e espaços privados de amamentação adequados às necessidades das mulheres deslocadas. 

Os abrigos sobrelotados e inadequados expõem as mulheres grávidas a vários riscos, o que aumenta o receio de infeções. 

Esperança em meio de incerteza

Desde 2 de março, ocorreram 147 ataques a instalações de saúde no Líbano. Pelo menos quatro hospitais estão sem funcionar e os que continuam a operar estão no limite da capacidade, reduzindo a possibilidade de admitir gravidezes de alto risco.

A falta de equipamentos, a escassez de profissionais e o insuficiente controlo de infeções nos hospitais impedem muitas mulheres de chegar aos hospitais públicos.

Por isso, as clínicas móveis apoiadas pela Unfpa auxiliam a população através de cuidados de saúde de proximidade, a par do acompanhamento pré-natal prestado às mulheres deslocadas.

A estas ações, somam-se os serviços disponibilizados em 200 abrigos coletivos e comunidades de acolhimento, através de uma rede composta por unidades de saúde, equipas móveis e espaços seguros para mulheres e meninas.

De modo a responder às necessidades humanitárias urgentes de cerca de 225 mil pessoas, entre março e maio de 2026, a agência lançou um apelo de financiamento de US$ 12 milhões. 

© Unicef
Uma ambulância danificada encontra-se inoperante perto de edifícios destruídos em uma rua gravemente danificada por recentes hostilidades, nas proximidades do Hospital Governamental de Tebnine, em Tebnine, no sul do Líbano.

ONU reitera a paz no Oriente Médio

Com a crise no Estreito de Ormuz e o alargamento regional do conflito, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Stéphane Dujarric, reiterou o compromisso das Nações Unidas em apoiar os esforços para a paz no Oriente Médio.

A declaração surgiu no seguimento da reunião à porta fechada do Conselho de Segurança realizada na quarta-feira, centrada nos ataques com mísseis e drones contra os Emirados Árabes Unidos no dia 4 de março. 

Dujarric contou que a ONU segue empenhada em apoiar todos os esforços destinados a alcançar uma solução abrangente e duradoura para o conflito, que se arrasta desde fevereiro deste ano. 

Já o secretário-geral, António Guterres, sublinhou a necessidade de cumprir a Resolução 2817, adotada pelo Conselho de Segurança no dia 11 de março, que, entre outros pontos, insta à proteção da população e de infraestruturas civis.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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