O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, afirma que o Brasil está obtendo taxas mais altas de imunização de crianças e adolescentes, mas ainda tem um caminho a percorrer. 

Nesta Semana Mundial de Vacinação, a agência diz haver motivos para celebrar os avanços recentes no país, reforçando, no entanto, que a vigilância precisa ser constante para evitar o retorno de doenças controladas.

Salto na cobertura vacinal

Luciana Phebo, chefe de Saúde do Unicef no Brasil, diz que o avanço é evidente, mas deve haver precaução. 

UNICEF/Luiz Marques
O Unicef afirma que o Brasil está se esforçando para aumentar as taxas de imunização entre crianças e adolescentes, mas ainda há um longo caminho a percorrer.

“Estamos celebrando a Semana Mundial de Imunização e sempre usamos todas as oportunidades para falar da importância da vacina para crianças, para adolescentes, para gestantes, para as pessoas de um modo geral. Nós observamos que o Brasil apresentou uma melhora expressiva nas coberturas vacinais, mas é sempre importante estar atento, estar atento para as reduções das coberturas vacinais, estar atento para qualquer tipo de retrocesso. Celebramos também os avanços no Brasil e hoje, especialmente, estamos falando muito das adolescências, com as unidades amigas das adolescências. E trago aqui o expressivo aumento da cobertura vacinal da HPV, que é uma vacina dada exatamente nessa faixa etária das adolescências.”

Campanha nas escolas

O Unicef atribui esse grande destaque da retomada à vacina contra o papilomavírus humano, HPV. Após anos de estagnação, o Brasil deu “um salto impressionante” na cobertura vacinal por causa da medida estratégica de campanhas nas escolas.

Essa mobilização direta em colégios permitiu que milhares de adolescentes recebessem a proteção necessária antes mesmo do início da vida sexual, garantindo uma barreira eficaz contra diversos tipos de câncer no futuro especialmente o câncer de colo de útero.

A estratégia atual foca em frentes como busca ativa indo aonde o público está, especialmente nas instituições de ensino. 

Também prevê combater a desinformação e recuperar a confiança da população na ciência e na eficácia dos imunizantes. Por último, incentivar o acesso facilitado ao desburocratizar o ato de vacinar para manter os índices em ascensão.

Proteção da próxima geração

Embora o cenário seja otimista, o alerta do Unicef serve como um lembrete de que a saúde pública é uma construção diária. O progresso é real, mas a proteção da próxima geração depende de manter o braço pronto para a próxima dose.

UNICEF/Luiz Marques
Semana Mundial de Vacinação celebra “um salto impressionante” dado na cobertura de imunizantes

Entre 2021 e 2025, o Brasil registrou um crescimento expressivo na imunização contra o HPV, aproximando-se das metas globais de erradicação de doenças evitáveis.

A cobertura entre as meninas subiu de 79,1% para os atuais cerca de 86,1%. No público masculino o salto na adesão foi de 41,1% para 74,5% no mesmo período num avanço tido como um pilar essencial na prevenção de diversos tipos de câncer, incluindo o de colo do útero, ânus, garganta e pênis.

Derrubar barreiras

“E aqui eu trago também e parabenizo a gestão do SUS no Brasil por conta da vacinação extramuro, além das unidades básicas de saúde, especialmente em escolas. Nas escolas é onde estão os adolescentes, onde estão as crianças. As vacinas têm que ir até as crianças, têm que ir até os adolescentes.  Certamente a estratégia de vacinação nas escolas contribuiu, por exemplo, para o avanço expressivo da cobertura vacinal de HPV, tanto em meninas quanto em meninos, mas sempre pode fazer mais.”

A estratégia brasileira contra o HPV ganhou um novo fôlego com a Semana de Vacinação nas Escolas, que segue com força até este dia 30 de abril. O objetivo é derrubar as barreiras de acesso e levar a proteção diretamente ao ambiente escolar, garantindo que nenhum adolescente fique para trás.

Descentralização e sucesso

O que começou em 2014 focado em meninas de 11 a 13 anos hoje é um pilar de saúde pública muito mais amplo. Ao longo da última década, o SUS expandiu o alcance para abranger meninos e meninas de nove a 14 anos. 

Além disso, uma janela de oportunidade extra está aberta: jovens de 15 a 19 anos podem se vacinar até o dia 30 de junho de 2026.

A descentralização é a chave do sucesso. Ao levar as doses para fora dos postos de saúde e para dentro das salas de aula, o governo registrou um salto significativo na cobertura vacinal. A medida busca consolidar a imunização coletiva e abrir caminho para um futuro livre dos riscos e cânceres causados pelo vírus.

*Eleutério Guevane é jornalista-sênior da ONU News.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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