Crianças no Sudão encaram a morte devido à violência, à fome e às doenças. Nesta terça-feira, agências humanitárias apontaram os ataques aos serviços de saúde e a falta de acesso à ajuda humanitária como obstáculos nos esforços de auxílio.

O Fundo da ONU para a Infância, Unicef, revelou haver áreas do norte de Darfur onde mais da metade das crianças enfrenta desnutrição aguda em meio a combates entre Forças Armadas Sudanesas, SAF, e Forças de Apoio Rápido, RSF, e seus aliados.

Primeiras vítimas da fome extrema

Recentemente, as regiões de Baru, Kernoi e At Tine atingiram taxas de desnutrição “catastróficas”. Os novos dados são da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, IPC.

O Unicef aponta as crianças como as primeiras vítimas da fome extrema e da desnutrição e que quanto menores elas forem, mais expostas ficam às fragilidades. O porta-voz do Unicef, Ricardo Pires, alertou para o agravamento da situação enquanto o tempo se esgota para crianças de idades entre seis meses e cinco anos.

Falando a jornalistas em Genebra, Pires mencionou os conflitos, os deslocamentos em massa, o colapso dos serviços e o bloqueio de acesso como fatores que agravaram os alertas de fome nessas localidades que se estendem por vastas áreas do Sudão.

O Unicef alerta que se a fome está se alastrando naqueles locais, a situação poderá se multiplicar para qualquer lugar, associada à ameaça de prevalência de doenças que têm impacto sobre a sobrevivência das crianças.

Mais da metade da população do Sudão do Sul sofre de insegurança alimentar aguda

Baixa cobertura vacinal

Além da fome, metade das crianças em At Tine, sofrem de febre, diarreia, infecções respiratórias, baixa cobertura vacinal, água contaminada e um sistema de saúde em colapso. Estes fatores tornam várias doenças tratáveis ​em sentenças de morte para crianças já desnutridas.

O apelo do representante do Unicef é que o mundo “pare de afastar o olhar das crianças sudanesas”. Ele alertou ainda que mais da metade dos jovens em Um Baru, no norte de Darfur, estão definhando diante do olhar das agências de ajuda.

Quase três anos após o início da guerra entre a SAF e a RSF, cerca de 13,6 milhões de pessoas fugiram de suas casas, incluindo 9,1 milhões de deslocados internos.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, ressaltou que embora os deslocados necessitem de cuidados urgentes, o sistema de saúde foi arrasado por ataques, perda e danos causados a equipamentos e suprimentos, escassez de profissionais e de recursos operacionais.

Desde que a guerra iniciou, em abril de 2023, a OMS verificou 205 ataques a serviços de saúde, que resultaram em 1.924 mortes e 529 feridos.

Cuidados médicos

Segundo o representante da OMS no Sudão, Shible Sahbani, os ataques privam as comunidades de receber cuidados médicos por anos. Este cenário instiga o terror em pacientes e profissionais de saúde e cria barreiras intransponíveis no acesso ao tratamento essencial.

Há registros que indicam que o país enfrenta múltiplos surtos de doenças, incluindo cólera, malária, dengue e sarampo.

Embora a OMS e parceiros atuem apoiando a resposta a essas situações, Sahbani insistiu na necessidade de garantir maior acesso e proteção aos profissionais e instalações de saúde, como prevê o direito internacional humanitário.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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