O racismo, a discriminação racial, a xenofobia e outras formas de intolerância continuam profundamente enraizados em todos os níveis do desporto. O alerta é da relatora especial* de direitos humanos sobre o tema.
Ashwini K.P apelou a uma ação urgente e coordenada para enfrentar as desigualdades estruturais para garantir a participação igualitária de todos.
Racismo sistémico e discriminação racial
Em seu relatório ao Conselho de Direitos Humanos, ela destaca como a pobreza, os conflitos, os regulamentos discriminatórios e a falta de representação criam barreiras significativas para grupos raciais e étnicos marginalizados no seio das sociedades.
A relatora especial sobre as formas de racismo e discriminação afirma que numa altura em que o acesso ao desporto continua marcado por disparidades, o conjunto de desigualdades socioeconómicas, enraizadas no racismo histórico e estrutural, segue a afetar desproporcionalmente estes grupos marginalizados.
Segundo a perita, critérios e políticas de elegibilidade discriminatórios, assentes em estereótipos persistentes, continuam a influenciar como estes atletas são identificados, treinados, selecionados e percebidos nos espaços desportivos.
Discurso de ódio nos espaços digitais
Os abusos raciais e discriminatórios transbordam para os espaços digitais como mostra o documento. Incidentes racistas persistentes, incluindo discurso de ódio e abusos dirigidos a atletas e adeptos, tanto offline como online.
Pessoas participam de manifestação contra o racismo
A perita apelou à criação de ambientes seguros e inclusivos que protejam a dignidade, a autonomia corporal e os direitos de mulheres transgénero e intersexo.
Os conflitos e o deslocamento forçado agravam as desigualdades persistentes, deixando milhares de atletas afetados com infraestruturas comprometidas, liberdade de circulação limitada e pouco ou nenhum acesso ao desporto e a oportunidades relacionadas.
Exclusão e potencial
Neste sentido, a relatora notou que o combate ao racismo e à discriminação estrutural no desporto exige uma abordagem baseada nos direitos humanos e interseccional, instando à participação ativa e coordenada dos Estados, das instituições e das entidades desportivas.
A responsável afirmou que apenas através do desmantelamento dos legados de exclusão e discriminação poderá o desporto cumprir o seu potencial como força de dignidade, justiça, inclusão e coesão social em todo o mundo.
*Os relatores de direitos humanos são independentes das Nações Unidas. Eles não representam a opinião da organização e não recebem salário pelo trabalho realizado
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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