O desafio de conter a epidemia de ebola na República Democrática do Congo, RD Congo, atingiu um nível crítico após a destruição, por um incêndio, de um centro de trânsito essencial para pacientes infectados. 

O ataque criminoso ocorreu na província oriental de Ituri, em um momento marcado por novos episódios de violência armada que provocam deslocamentos em massa e paralisam as operações humanitárias na região.

Fechamento forçado

O alto funcionário das Nações Unidas responsável pela resposta ao ebola, Julien Harneis, condenou o incêndio e alertou que o campo de Kigonze, onde a instalação operava, encontra-se agora completamente abandonado. 

© UNICEF/Josué Mulala
Um voluntário da Unicef usa um megafone para informar os moradores sobre o ebola em Mungbwalu, Ituri.

Ele destacou que o fechamento forçado representa um grave retrocesso na contenção do vírus, em uma área onde a criação de centros de tratamento já era uma luta imensa. A mobilização de pessoal e a falta de fundos continuam sendo grandes obstáculos.

Êxodo e nsegurança

Harneis contou à ONU News que com o ataque perde-se capacidade, investimento e deve-se recomeçar. Acima de tudo, isso significa que as pessoas ficam privadas do acesso aos cuidados de que realmente necessitam.”

O campo de Kigonze servia de refúgio para cerca de 19 mil pessoas que fugiam da violência no leste do país, uma região rica em recursos próxima à fronteira com Ruanda. 

Nos últimos dias, milhares de civis abandonaram o local após relatos de que militares entraram no perímetro em busca de armas e de membros de grupos armados não estatais, gerando um clima de tensão marcado por trocas de tiros.

3 mil fugas em 3 dias

Classificando o ataque como “profundamente decepcionante”, Harneis ressaltou que a equipe médica prestava serviços essenciais e de excelência à população. A ONU colabora agora com as autoridades locais para garantir a proteção das infraestruturas de saúde que restaram, em meio à instabilidade que se estende também ao território de Djugu.

© Ocha/Priscilla Lecomte
Colapso da infraestrutura de saúde, combinado à fuga em massa das populações, cria um cenário onde o vírus pode se propagar

A escalada do conflito forçou mais de 3 mil pessoas a fugirem do campo de deslocados de Rhoe desde o dia 27 de setembro. 

Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, Ocha, pelo menos quatro pessoas foram mortas, sete ficaram feridas e várias casas incendiadas na localidade de Blukwa. 

Fontes humanitárias confirmam que mulheres e crianças representam a esmagadora maioria dos deslocados.

Fuga em massa das populações

A piora dos combates sufoca a resposta médica ao ebola. O acesso humanitário foi severamente limitado em várias zonas de saúde críticas, como Fataki, Drodro e Lita. 

A insegurança contínua gerou uma série falhas logísticas que comprometem a contenção do vírus. Entre elas está o atraso nos diagnósticos, com o transporte de amostras laboratoriais de Fataki para Bunia sofrendo atrasos significativos, impedindo a testagem em tempo útil.

Houve ainda a interrupção de tratamentos. A transferência de pacientes com diagnóstico confirmado de ebola para as unidades de cuidado foi suspensa, colocando vidas em risco e aumentando o potencial de contágio.

A insegurança motivou ainda a retirada de equipes. As entidades humanitárias estão recuando das áreas mais afetadas devido ao risco extremo de segurança.

O colapso da infraestrutura de saúde, combinado à fuga em massa das populações, cria um cenário onde o vírus pode se propagar de forma invisível e descontrolada, exigindo uma intervenção imediata para estabilizar a região.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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