Em sua mensagem sobre o início do mês do Ramadã, nesta terça-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu este período, sagrado para os muçulmanos, como um tempo de reflexão e oração.

Para os muçulmanos em todo o mundo, o chefe da ONU associou também o período a uma “nobre visão de esperança e paz”.

Zonas de conflito

O líder da ONU advertiu, no entanto, que para muitas pessoas essa visão permanece distante, apontando situações de sofrimento em vários pontos do globo.

O chefe da organização defendeu que a mensagem do Ramadã deve servir como guia num contexto internacional marcado por dificuldades e divisões.

Guterres referiu que, apesar do simbolismo de paz associado ao Ramadã, “para muitos, esta visão permanece distante”. Ele ressaltou que comunidades inteiras enfrentam realidades de violência e crise humanitária.

O secretário-geral enumerou exemplos, afirmando que “do Afeganistão ao Iêmen, de Gaza ao Sudão e noutros locais, pessoas sofrem os horrores do conflito, da fome, do deslocamento, da discriminação e muito mais”.

O secretário-geral colocou o foco em múltiplas emergências que afetam populações civis.

Apelo a “superar divisões” 

Num tom de apelo coletivo, Guterres afirmou que, perante o atual contexto global, é necessário ouvir a mensagem central do mês sagrado.

Declarou que “nestes tempos difíceis e marcados pela divisão, escutemos a mensagem duradoura do Ramadã”, defendendo que esta deve servir para “superar divisões” e para “levar ajuda e esperança a quem sofre”.

O secretário-geral acrescentou ainda que o espírito do Ramadã deve orientar esforços internacionais no sentido de “proteger os direitos e a dignidade de cada pessoa”, reforçando a dimensão humanitária e de direitos humanos presente na sua mensagem.

Uma mulher Rohingya reza durante o Ramadã em um abrigo temporário em Aceh, na Indonésia

Visitas anuais e participação no jejum como gesto de solidariedade

Guterres recordou que, todos os anos, realiza uma visita especial de solidariedade a uma comunidade muçulmana e participa no jejum. Ele afirmou que este gesto é acompanhado por uma experiência pessoal de proximidade com os valores do mês sagrado.

O líder da ONU afirmou que “todos os anos”, faz uma visita especial solidária a uma comunidade muçulmana e participa no jejum, acrescentando que em cada ocasião sai “reconfortado pelo espírito de paz e compaixão do Ramadã”.

Construir um mundo mais justo

Ao fechar a mensagem, Guterres expressou esperança de que o Ramadã sirva como inspiração para uma ação coletiva global, e que “inspire a trabalhar juntos por um mundo mais pacífico, generoso e justo para todos”.

O secretário-geral encerrou com a saudação tradicional “Ramadã Kareem”, dirigida às comunidades muçulmanas em todo o mundo.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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