Em um mundo cada vez mais conectado por sistemas digitais, Portugal ocupa uma posição de destaque no setor de cabos submarinos. É essa infraestrutura espalhada pelo fundo do mar que sustenta 99% do tráfego da internet, permitindo a circulação de dados como mensagens, transações bancárias e ligações. 

A partir desta segunda-feira, o país sedia a segunda Cimeira Internacional sobre Resiliência de Cabos Submarinos, na cidade do Porto, com apoio da União Internacional de Telecomunicações, UIT. 

Rotas de cabos submarinos de internet reforçam posição estratégica de Portugal

Corredor global do tráfico de dados

A ONU News conversou com a presidente da Autoridade Nacional de Comunicações de Portugal, Anacom, que discursa na sessão de abertura do evento.

Sandra Maximiano enfatizou que por estar numa encruzilhada geográfica entre Europa, Américas e África, Portugal se tornou um dos principais corredores globais do tráfico de dados e pretende fortalecer ainda mais essa posição estratégica.  

“Alguns dos principais cabos transatlânticos do mundo têm vindo a amarrar em Portugal e eu destacava o EllaLink, que liga diretamente ao Brasil, o 2Africa, o Medusa, o Equiano e o futuro cabo Nuvem, que ligará a Europa aos Estados Unidos e à África, bem como o Sol, o Cabo Sol, que vai fazer a ligação entre os Estados Unidos e a Europa e que prevê uma ligação também com a Região Autónoma dos Açores”.

A representante afirmou que esse interesse crescente nas rotas “muito diretas e resilientes” que Portugal tem a oferecer, inclusive através das regiões autônomas de Açores e da Madeira, “reforça a soberania digital do país e da própria Europa”.

Maximiano também copreside o Grupo Consultivo da UIT sobre Resiliência de Cabos Submarinos, que vai apresentar recomendações antes da abertura da Cimeira. 

Close do cabo submarino sendo enrolado em rolos industriais na Cúpula Internacional de Resiliência de Cabos Submarinos 2026 em Porto, Portugal.

Impacto de data centers de inteligência artificial

Ela explicou que o encontro acontece num momento em que há um crescimento acelerado da economia digital, marcado por computação em nuvem, comércio eletrônico, jogos online, digitalização de serviços públicos e uso cada vez mais amplo da inteligência artificial.

A especialista afirmou que é preciso criar rotas alternativas para lidar com esse “volume sem precedente de dados”, inclusive os gerados por data centers de IA.

“Basicamente isso vai se traduzir numa pressão crescente sobre as infraestruturas de comunicações e, em particular, sobre a conectividade internacional, grande parte dela, mais de 98%, sustentada por cabos submarinos. Portanto, é extremamente importante que, à medida que a procura dos serviços digitais cresça, também cresça essa necessidade de maior capacidade e de rotas mais diretas e de pontos de amarração que estejam bem localizados, que vão potenciar toda essa complementaridade com data centers. Portanto, são precisas cada vez mais redes mais resilientes. E não basta aumentar a largura de banda. É mesmo essencial garantir a redundância, essa diversidade de rotas”.

A redundância refere-se a estratégia de ter múltiplas rotas conectando os mesmos pontos para que caso uma delas seja danificada a conexão não seja perdida. 

Mordidas de tubarão e sabotagem intencional

A presidente da Anacom explicou que atividades de navegação marítima, como a pesca de arrasto, dragagem ou ancoragem, representam cerca de 70% das causas de falhas nos cabos, mas existem outros fatores ambientais e geopolíticos.

“Embora sejam menos comuns, os danos de origem ambiental, que são cerca de 10%, também podem ocorrer e são resultantes de toda a atividade natural, normal, geológica e biológica dos oceanos. Diria mesmo, como em situações como terramotos e até mordidas de tubarão. São situações que levam à destruição dos cabos. Ainda mais residual, mas com uma grande importância, são as disfunções que resultam de falhas de componentes e, sobretudo, ações deliberadas de atores estatais e não estatais, nomeadamente a sabotagem intencional, intrusões cibernéticas, espionagem ou mesmo também perturbações que são decorrentes das tensões geopolíticas e cada vez mais importantes”.

Ela defendeu regulamentações mais rigorosas por parte dos governos para minimizar esses riscos e disse que a Cimeira no Porto tem a intenção de deixar a “porta aberta para uma maior cooperação internacional”, favorecendo inclusive a reparação de cabos que venham a ser danificados.

Tubarão no fundo do mar

Projeto “revolucionário” em Timor-Leste

Sobre a cooperação entre países de língua portuguesa, Sandra Maximiano destacou um projeto que Portugal está desenvolvendo em Timor-Leste

“No caso de Timor-Leste, nós temos vindo a apoiar a implementação destes nossos sistemas que vão alterar substancialmente o panorama de acesso naquele país. Este apoio surge também no contexto da implementação do chamado Timor-Leste South Submarine Cable e tem uma dimensão de 607 km. Está instalada em Díli, em 2024, que foi ligar a capital timorense à Darwin, na Austrália, através do mar de Timor e este cabo encontra-se ainda em fase de testes e espera-se que o início comercial dos serviços seja para muito breve”.

A presidente da Anacom afirmou que essa infraestrutura será “revolucionária” para Timor e vai ajudar toda a população a se adaptar à era da digitalização. 

Portugal também realiza missões técnicas de capacitação em Cabo Verde, Moçambique e Angola, para fortalecer entidades públicas locais que atuam na gestão destes sistemas de comunicação. 

Inovação para identificar mudanças climáticas e eventos extremos

A especialista portuguesa enfatizou ainda o pioneirismo do país na criação de cabos “smart”, dotados de sensores que podem ser usados para investigação científica e para reforçar a vigilância e proteção dos próprios cabos, emitindo alertas para embarcações que podem danificá-los.

Além disso, essa nova geração de cabos vai recolher informações como a temperatura do oceano e a pressão do fundo do mar, com o objetivo de aferir os efeitos das alterações climáticas nos oceanos e detectar antecipadamente a formação de tsunamis.

Sandra Maximiano acredita que a Cimeira, que encerra na terça-feira, será um espaço privilegiado para avançar no enquadramento técnico e normalização internacional desse tipo de tecnologia. 

A especialista ressaltou que outros objetivos do encontro serão aceleração das reparações, antecipação e mitigação dos riscos e o reforço dos quadros jurídicos e regulamentares para a melhoria da conectividade.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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