Quem entra no principal auditório no Instituto Superior de Ciências Sociais e Politicas da Universidade de Lisboa, Iscsp, encontra alunos de bandeiras no ar, vestidos de fato e gravata e a pedir a palavra. Estão trajados a rigor para uma simulação das Nações Unidas, conhecida como Model UN ou Modelo ONU.

Este foi o cenário, durante os dias 9 e 10 de abril, do evento organizado  em parceria com a Associação das Nações Unidas, UNA Portugal, que junta estudantes numa recriação dos trabalhos da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Delegados, jornalistas e interessados

Ao todo, 39 delegações, cinco organizações e sete jornais participaram num exercício centrado no tema “Soberania Azul: O Futuro dos Mares e do Ártico”, num exercício de simulação e debate, como explica Mário Parra da Silva, secretário-geral da UNA Portugal, a associação portuguesa das Nações Unidas. 

“Consiste numa forma de levar os estudantes a penetrar o mundo das Nações Unidas, mas também a ganhar uma aproximação mais concreta ao que é o mundo da representação diplomática, da negociação e da análise de problemas complexos de carácter global.” 

Aprender a ser cidadão do mundo 

Na prática, traduz-se num exercício em cada participante deixa de ser apenas aluno para passar a ser um Estado-membro da ONU. Cada estudante assume o papel de um país, com posições próprias e linhas diplomáticas que nem sempre coincidem com as suas convicções pessoais.

“O estudante que participa no Model UN é obrigado a sair de si próprio, da sua zona de conforto normal e interpretar o papel de um cidadão do mundo, que procura respostas globais no contexto de uma organização global, como é as Nações Unidas”, afirma Mário Parra da Silva.

Política externa e capacidade de debate 

À mesa da Assembleia Geral, Ana Luísa Monteiro, conduz os trabalhos e, entre pedidos de palavra e chamadas à ordem, mantém o ritmo do debate. A estudante brasileira, de 21 anos, explica que cada edição prevê meses de preparação, sessões de treino e simulações anteriores. 

“Eu acredito que esse é um dos projetos que consegue, de forma mais exímia, desenvolver diversas competências que às vezes são um pouco mais difíceis da gente conseguir fazer durante a licenciatura, então participando de uma simulação, você consegue desenvolver oratória, habilidade de pesquisa, entendimento de política externa”, conta à ONU News.

É mais do que um teatro 

No plenário, as posições cruzam-se. Odara Brito, a representar Cabo Verde, traz para o centro da discussão a realidade dos pequenos Estados insulares. A estudante cabo-verdiana de 20 anos defende que este tipo de exercício é essencial para desenvolver capacidades essenciais para o futuro. 

“Muitas pessoas acabam por pensar que modelos são apenas um teatro, mas de facto não são, porque primeiramente dão capacidades de negociação, de articulação, de análise crítica”, afirma. 

Alcançar o bem-estar comum

Já Marta Barbeitos, na delegação da Dinamarca, destaca divergências estratégicas dentro do próprio debate. A estudante portuguesa de 19 anos aponta o caminho.

“Tentamos sempre ouvir várias opiniões, conseguir juntar todas numa só para garantirmos um bem-estar comum”.

Henrique Marques, que representa a Indonésia, descreve um ambiente mais intenso do que o esperado. O aluno português de 19 anos destaca uma simulação bem próxima da realidade. 

“Já se estão a começar a formar blocos, já estamos a alinhar propostas, no geral está a ser um dia em que está a ser bastante acirrado, muitos ataques entre todas os estados”, exemplifica.

Portugal acolhe uma edição do Modelo das Nações Unidas, investindo em futuros líderes

Saídas profissionais

Para o presidente do Iscsp, Ricardo Ramos Pinto, iniciativas como esta reforçam a ligação entre ensino e prática, permitindo aos estudantes experimentar, em contexto controlado, os desafios das relações internacionais.

“Para os nosso alunos é fundamental irem tendo estes momentos não só para ganharem algumas competências, mas para perceberem as dinâmicas e perceberem se é aquele tipo de carreira que ambicionam porque hoje em dia o curso de relações internacionais têm um espetro bastante largo de saídas profissionais”, disse à ONU News.

Bichinho da ONU

Para vários estudantes, o Model UN não é apenas um exercício académico, é um primeiro passo para uma possível carreira. 

Marta Barbeitos assume esse sentimento e objetivo. “Nós estamos todos aqui hoje porque temos o bichinho das Nações Unidas, acho que é impossível negar que queremos todos ir para lá, é o nosso sonho”.

Também Ana Luísa Monteiro admite-o sem hesitação. “Eu gosto muito da ideia das Nações Unidas, principalmente das organizações especializadas, eu admiro muito todo o trabalho que é feito dentro das Nações Unidas, e quero sim poder, quem sabe um dia, fazer parte desse projeto, desse legado que é deixado”. 

Formar as elites do futuro

Também para Mário Parra da Silva, é aqui que se começa a desenhar o futuro. 

“O Model UN tem interesse académico, pedagógico e tem interesse como formação de elites. Quando se analisa as pessoas que realmente ocupam cargos internacionais, são muito poucas as que não passaram pelo Model UN algures na sua carreira académica”, remata. 

Para muitos destes estudantes, a experiência não acaba ali. É apenas o início de um caminho que os leve um dia até às cadeiras da Organização das Nações Unidas.

*Sara de Melo Rocha é correspondente da ONU News em Lisboa

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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