O subsecretário-geral e enviado especial para Tecnologias Digitais e Emergentes, Amandeep Singh Gill, sublinhou que a governação global da inteligência artificial, IA, deve ser “inclusiva” e envolver todos os países.

Nesta semana, a Índia acolhe a “AI Impact Summit”, Nova Délhi. O representante falava à ONU News no contexto do evento que acontece entre segunda-feira a sexta-feira.

Para Amandeep Singh Gill, “a governação da IA, tanto para aproveitar as oportunidades como para gerir os riscos, precisa de ser inclusiva”.

AI Impact Summit é um dos primeiros grandes encontros internacionais sobre o tema realizado no Sul Global. Gill afirmou que o evento representa um contributo para uma maior participação dos países em desenvolvimento nas decisões sobre o futuro da tecnologia.

Cimeira de IA no Sul Global

A Cúpula Mundial reúne representantes de governos, setor privado e organizações internacionais, contando com a participação prevista do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Várias agências das Nações Unidas irão apresentar iniciativas apoiadas na Índia e noutros países em desenvolvimento, com foco na utilização da IA em áreas ligadas ao desenvolvimento sustentável.

O evento surge após a cimeira sobre segurança de IA realizada no Reino Unido em 2023 e a cimeira sobre ação em tecnologia, em França em 2025. A busca reforça o debate global com maior presença de atores do Sul Global.

Gill considerou que o encontro se insere numa dinâmica crescente de diálogo internacional, antecipando que em julho as Nações Unidas irão realizar o primeiro diálogo global sobre governação da IA, descrevendo estes processos como “correntes” que convergem para um esforço coletivo de inclusão.

Participantes da AI Impact Summit 2020 na Índia, promovendo a igualdade de gênero e a IA ética

Fundo global e rede de centros 

Na entrevista, o enviado especial afirmou que uma das principais formas de evitar que países em desenvolvimento fiquem para trás passa por um investimento significativo em capacitação tecnológica.

Segundo Gill, o secretário-geral apresentou um relatório com propostas de financiamento voluntário inovadoras, incluindo a criação de um fundo global de IA.

No valor de até US$ 3 bilhões com investimentos destinados a 80 a 90 países considerados mais vulneráveis ao risco de exclusão tecnológica.

Gill explicou ainda que a proposta inclui a criação de uma rede de centros de capacitação em IA, conectados internacionalmente, para treinar profissionais, apoiar a construção de conjuntos de dados e facilitar a partilha de recursos computacionais escassos.

Aplicações em agricultura

O objetivo, afirmou, é permitir que diferentes regiões do mundo tenham capacidade para absorver e adaptar a IA aos seus próprios contextos, incluindo aplicações em agricultura, educação e saúde.

O enviado especial sublinhou que o objetivo não é que todos os países desenvolvam tecnologias de ponta, mas que todos possam participar e beneficiar das oportunidades, referindo que a inclusão é necessária tanto por razões práticas como por uma questão de responsabilidade global.

Visualização de Inteligência Artificial combinando um esquema de cérebro humano com uma placa de circuito

Sub-representação feminina e riscos da desinformação 

Gill alertou também para a sub-representação de mulheres no setor da inteligência artificial, indicando que esta realidade se observa tanto na investigação como em empresas e no financiamento destinado a projetos tecnológicos.

Ainda assim, destacou sinais encorajadores, afirmando que mulheres têm liderado trabalho relevante em áreas como avaliações de segurança, diversidade linguística e modelos de código aberto.

A entrevista abordou igualmente preocupações com desinformação, manipulação digital e riscos para democracias e direitos fundamentais.

Gill referiu que o tema já foi identificado no Pacto Digital Global adotado na Cimeira do Futuro de 2024, e apontou que a ONU pode desempenhar um papel de mediação entre diferentes abordagens nacionais.

A ideia é alinhar as respostas com os direitos humanos e com a proteção do acesso a informação “livre de manipulação”.

Modelos menores e aposta em mecanismos globais de governação

O enviado especial afirmou que soluções menores, como modelos de linguagem de pequena escala, podem ser decisivas para desafios ligados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, por serem menos intensivos em energia e mais fáceis de adaptar a contextos locais.

No caso da Índia, destacou que o AI Impact Summit mostra exemplos de empreendedores que desenvolvem aplicações orientadas para necessidades concretas.

Gill reforçou ainda que as Nações Unidas possuem legitimidade para liderar normas globais sobre IA por serem “o único fórum onde todos os países têm um lugar à mesa”.

Outro atributo da organização é reunir um corpo consolidado de direito internacional, incluindo normas humanitárias, direitos humanos, compromissos ambientais e igualdade de gêneros.

Infraestrutura digital adequada

Ao projetar os próximos cinco anos, Gill afirmou que o objetivo é ver mais países com capacidade para governar e desenvolver IA com talento local, dados próprios e infraestrutura digital adequada.

Ele alertou para o risco de fragmentação regulatória se a cooperação internacional falhar.

Para o responsável, o sucesso dependerá também da ligação entre IA e as prioridades multilaterais, incluindo os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, direitos humanos, paz e segurança.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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