Em discurso no Conselho de Direitos Humanos, o alto-comissário da ONU sobre o tema, Volker Turk, ressaltou violações graves em conflitos no Oriente Médio, na África e na Europa, o uso crescente de drones em guerras e criticou retrocessos em igualdade de gênero, liberdade de imprensa e proteção de minorias. 

Em conjunto com a criação da Aliança Global pelos Direitos Humanos, Turk pretende mobilizar governos e sociedade civil em torno da defesa da dignidade, da justiça e da construção de respostas conjuntas às crises internacionais.

Ataques sem precedentes

Segundo ele, a luta pelos direitos humanos é marcada por avanços e retrocessos, mas atualmente o que se vê são ataques sem precedentes.

O cenário descrito pelo alto-comissário da ONU revela um período conturbado, com perdas de direitos em áreas como África, Américas, Europa e Oriente Médio.

Nos Territórios Palestinos incluindo a Cisjordânia, Turk diz que a ação de Israel estaria provocando mortes de civis, restrição à ajuda humanitária e anexações de território.

No Líbano, milhares de pessoas foram mortas. A violência já causou 1 milhão de deslocados.

Na região do Sahel, países como Mali, Burkina Fasso e Níger enfrentam massacres, execuções extrajudiciais e repressão a organizações civis. 

Turk também mencionou violência política e tensões religiosas em países incluindo Nigéria, Camarões, Etiópia e Somália, além de crises humanitárias no Haiti, em Cuba, no Peru, na Síria e no Iêmen.

© WFP/Arete/Mahad Said
O IPC estima ainda que cerca de 1,9 milhões de pessoas encontram-se em emergência alimentar

Espiral de terror

O alto-comissário destacou que os alertas da ONU contra armas autônomas letais se tornaram realidade em países como Sudão, Ucrânia e República Democrática do Congo. 

Em Gaza, Israel, Líbano e Mianmar, a guerra com drones estaria alimentando uma nova espiral de terror. 

Segundo ele, essas armas destroem comboios de ajuda, infraestrutura energética e aterrorizam civis. 

Cortes orçamentários em ajuda humanitária

Turk também criticou os cortes na ajuda humanitária, que têm impacto catastrófico nos direitos humanos. 

Ele comparou os custos: manter a ajuda global em 2026 equivaleria a apenas três dias de gastos militares mundiais; sustentar o Alto Comissariado da ONU custaria o equivalente a duas horas desses gastos.

O discurso incluiu denúncias de assassinatos e desaparecimentos de defensores de direitos humanos e jornalistas, censura em países como Uganda, Belarus e Rússia, perseguição a minorias Lgbtqi+ em Gana e Níger, além de retrocessos em igualdade de gênero e violência contra mulheres. 

Turk criticou algumas políticas migratórias da União Europeia e casos de xenofobia na África do Sul, além de condenar islamofobia, antissemitismo e perseguição a povos indígenas em países como China e Nicarágua.

As políticas de imigração também afetam grandes eventos internacionais, como a Copa do Mundo masculina, em que jogadores, torcedores e dirigentes enfrentam obstáculos para entrar nos Estados Unidos.

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Avanços recentes

Apesar do tom de alerta, o alto-comissário citou avanços recentes, como compensação a povos indígenas na Austrália e reconhecimento de direitos Lgbtqi+ na China.

Ele falou sobre o fortalecimento de instituições nacionais de direitos humanos em diversos países e atuação de tribunais regionais na responsabilização por danos ambientais também foram destacados.

Turk finalizou ressaltando  que os direitos humanos são elo entre todos os seres humanos e anunciou a criação da Aliança Global pelos Direitos Humanos, que pretende fortalecer parcerias e construir um mundo melhor.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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