A Organização Mundial da Saúde, OMS, soou um alerta sobre um ensaio clínico anunciado na Guiné-Bissau para testar a vacina de hepatite B em recém-nascidos.

A agência expressou “preocupações significativas” quanto à justificativa científica do estudo, salvaguardas éticas e alinhamento geral com princípios estabelecidos para pesquisas envolvendo participantes humanos.

Exposição a riscos

A OMS destaca que o estudo inclui uma parte sem tratamento, o que pode expor recém-nascidos a danos graves e potencialmente irreversíveis, incluindo infecção crônica, cirrose e câncer de fígado.

A agência ressalta que ensaios de vacina com placebo ou sem tratamento são aceitáveis apenas quando não existe intervenção comprovada ou quando tal desenho é indispensável para responder a uma questão crítica de eficácia ou segurança.

Para a OMS, nenhuma das condições parece ser atendida, com base nas descrições públicas do estudo.

A vacina contra a hepatite B  é geralmente recomendada para todos os recém-nascidos, preferencialmente nas primeiras 12 a 24 horas de vida, ainda na maternidade, para prevenir a transmissão de mãe para filho e infecções crônicas.

O imunizante tem um histórico comprovado de segurança ao longo de décadas de uso e é eficaz na prevenção de 70%–95% dos casos de transmissão vertical.

Amin Muktar, de 4 meses, está sentado no colo da mãe enquanto aguarda para receber as vacinas contra a poliomielite e a pentavalente no Centro de Atenção Primária à Saúde de Nyakuron, em Juba, Sudão do Sul

Obrigações éticas

A agência da ONU declarou que restrições de recursos não podem ser usadas para justificar a retenção de cuidados comprovados em um estudo de pesquisa envolvendo pessoas. 

A OMS ressaltou que a Guiné-Bissau suspendeu o estudo e aguarda novas revisões técnicas. A agência afirmou que está pronta para apoiar a nação africana com estratégias de imunização, triagem pré-natal, treinamentos e logística.

As obrigações éticas exigem minimizar riscos e garantir uma perspectiva de benefício para os participantes. Segundo a OMS, o protocolo do estudo não parece garantir nem mesmo um nível mínimo de redução de danos, como triagem de gestantes e vacinação de recém-nascidos expostos à hepatite B.

A nota da OMS também enfatiza que o desenho do estudo traz um “risco substancial de viés, limitando a interpretação dos resultados e sua relevância para políticas públicas”.

Proteção oportuna

A entidade também disse estar comprometida em trabalhar com autoridades nacionais, pesquisadores e parceiros para garantir que todos os recém-nascidos recebam proteção oportuna e baseada em evidências contra a hepatite B.

A doença causa centenas de milhares de mortes globalmente todos os anos. A transmissão ao nascer é a via mais comum para a infecção ao longo da vida. Cerca de 90% dos recém-nascidos infectados durante o parto tornam-se portadores crônicos com alto risco de cirrose e câncer de fígado.

Na Guiné-Bissau, estima-se que mais de 12% dos adultos vivam com hepatite B crônica, e a infecção em crianças com menos de cinco anos está muito acima da meta global. O país decidiu formalmente em 2024 adicionar a dose de nascimento para hepatite B em seu calendário nacional, com a introdução planejada para 2028.

Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).

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