O naufrágio de um barco que transportava 305 pessoas, na madrugada de 9 de outubro, ao largo da costa de Djibuti, matou pelo menos 139 pessoas e deixou 84 desaparecidas, como informou a Organização Internacional para Migrações, OIM.
Cerca de 80 pessoas sobreviveram ao naufrágio do navio que seguia em direção ao Iémen, segundo a agência, que adianta que as autoridades continuam as operações de busca e salvamento.
15 crianças entre as vítimas mortais
De acordo com os relatos de sobreviventes, o barco virou perto da localidade costeira de Guehere, a norte da cidade portuária de Obock.
Trata-se de um dos naufrágios mais mortais na Rota Oriental. No conjunto de vítimas mortais, contam-se pelo menos 15 crianças, confirmou o Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef.
Entre os 109 corpos inicialmente recuperados, foram identificados 52 homens e 42 mulheres, além de nove meninas e seis meninos. O balanço deverá ser atualizado à medida que as operações de busca permitam localizar as pessoas desaparecidas.
Em busca de uma vida melhor
Todos os anos, dezenas de milhares de migrantes do Chifre de África viajam através de Djibuti e atravessam o Estreito de Bab el-Mandeb até ao Iémen, em busca de segurança, estabilidade e emprego nos países do Golfo.
Apesar da crescente instabilidade em todo o Médio Oriente, a pobreza, a insegurança e os crescentes impactos das mudanças climáticas levam muitos a realizar essa jornada, sublinha a OIM.
Desde 10 de setembro que a Matriz de Rastreamento de Deslocamento da agência observou mais de 20 mil movimentos de entrada de migrantes provenientes da Etiópia em Djibuti.
Já em 2025, mais de 900 migrantes morreram ou desapareceram ao longo da Rota Oriental, enquanto o número de pessoas que realizou essa jornada aumentou 18%. Outro naufrágio em março deste ano deixou nove pessoas mortas e 45 desaparecidas, recorda a OIM.
Migrantes correm risco de vida
Os migrantes que chegam ao Iémen enfrentam riscos de violência, prisão e detenção arbitrárias, exploração e tráfico. Sobreviver à travessia marítima não significa necessariamente alcançar a segurança, particularmente em meio à insegurança em curso e aos desafios humanitários no Iémen.
Em declaração, a diretora regional do Unicef para a África Oriental e Austral, Etleva Kadilli, frisou que a tragédia ao largo de Djibuti constitui um “lembrete gritante” dos perigos que os migrantes enfrentam ao tentar buscar uma vida e oportunidades económicas melhores.
Por sua vez, a diretora-geral da OIM, Amy Pope, alerta que estas mortes não podem continuar a ser encaradas como normais. A responsável enfatiza que a existência de vias de migração seguras e legais salva-vidas, apelando aos governos e doadores para que atuem antes de ocorrer outro naufrágio.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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