Um relatório divulgado esta sexta-feira pelo Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, afirma que a ofensiva final das Forças de Apoio Rápido, RSF, para capturar a cidade de El Fasher, em outubro do ano passado, envolveu violações graves que podem constituir crimes de guerra e possíveis crimes contra a humanidade.
O documento, baseado em entrevistas realizadas no final de 2025 com mais de 140 vítimas e testemunhas no norte do Sudão e no leste do Chade, descreve uma “onda de violência intensa” durante os primeiros dias do ataque, após 18 meses de cerco prolongado à cidade.
Mais de 6 mil mortes nos primeiros dias do ataque
De acordo com o relatório, mais de 6 mil pessoas foram mortas nos três primeiros dias da ofensiva das RSF em El Fasher. A ONU estima que pelo menos 4,4 mil dessas mortes ocorreram dentro da cidade e mais de 1,6 mil aconteceram ao longo das rotas de fuga utilizadas por civis que tentavam escapar.
O relatório ressalta que o número real de mortos durante a ofensiva, que durou uma semana, pode ser significativamente maior do que o registrado até agora.
Uma caravana repleta de famílias deslocadas fugindo de El Fasher, no norte de Darfur
Ataque matou cerca de 500 pessoas em dormitório
Entre os episódios descritos, a ONU documenta um incidente em 26 de outubro, quando combatentes das RSF abriram fogo com armas pesadas contra cerca de mil civis que estavam refugiados no dormitório Al-Rashid, na Universidade de El Fasher.
Testemunhas apresentaram relatos consistentes de que aproximadamente 500 pessoas morreram no local. Uma testemunha afirmou ter visto corpos sendo lançados ao ar, descrevendo a cena como “um filme de terror”.
O Escritório de Direitos Humanos afirma que as RSF e milícias árabes aliadas cometeram uma série de abusos, incluindo assassinatos em massa, execuções sumárias, violência sexual, raptos para resgate, tortura, detenções arbitrárias, desaparecimentos, pilhagens e uso de crianças em conflitos.
Hospital infantil usado como centro de prisão
Segundo o relatório, muitos ataques foram direcionados a civis e pessoas fora de combate, com base na sua etnia ou em alegadas ligações às Forças Armadas Sudanesas, SAF.
O relatório também aponta a existência de 10 centros de detenção utilizados pelas RSF em El Fasher, onde as condições foram descritas como extremamente inadequadas, contribuindo para surtos de doenças e mortes sob custódia.
Um dos locais citados foi o Hospital Infantil, que teria sido convertido em instalação de detenção. A ONU afirma ainda que milhares de pessoas permanecem desaparecidas e sem paradeiro conhecido.
Pessoas que fugiram dos combates em El Fasher e arredores aguardam assistência em Tawila, no estado de Darfur do Norte, no Sudão
Pedido de investigações e responsabilização internacional
O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, afirmou que a violência cometida pelas RSF e milícias aliadas demonstra que a impunidade continua a alimentar ciclos de violência.
Turk apelou por investigações credíveis e imparciais para determinar responsabilidade criminal, incluindo a de comandantes e superiores hierárquicos.
Ele defendeu que os responsáveis sejam levados à justiça por todos os meios disponíveis, incluindo tribunais sudaneses independentes, jurisdição universal em países terceiros, o Tribunal Penal Internacional ou outros mecanismos.
O relatório conclui que existem “fundamentos razoáveis” para acreditar que as RSF cometeram crimes de guerra. As acusações incluem homicídio, ataques contra civis, uso da fome como método de guerra, ataques contra pessoal médico e humanitário, violações sexuais, tortura, pilhagem, recrutamento e utilização de crianças em combate.
Turk reiterou também o apelo para que Estados com influência sobre as partes envolvidas ajam urgentemente para impedir a repetição das violações documentadas em El Fasher. Ele enfatizou o respeito ao embargo de armas já em vigor e o fim do fornecimento de armamento ou material militar aos grupos em conflito.
Source of original article: United Nations / Nações Unidas (news.un.org). Photo credit: UN. The content of this article does not necessarily reflect the views or opinion of Global Diaspora News (www.globaldiasporanews.net).
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